A MEMÓRIA CONTRA A DESPERSONALIZAÇÃO: Uma Análise de Memórias do Cárcere, de Graciliano Ramos
Palavras-chave:
Despersonalização, Memória, Encarceramento, IdentidadeResumo
Chama a atenção na escrita do Memórias do cárcere (Ramos, 1953) a constante indignação de Graciliano Ramos com as atitudes de "despersonalização" impostas pela polícia política de Vargas quando da sua prisão, em 1936. A despersonalização é encarada por Ramos como tratamento destinado aos presos, como se todos fossem uma massa desumana e uniforme, mas que ele procura, em suas memórias, particularizar e individualizar. Assim, este trabalho se orienta pela seguinte questão: de que maneira Graciliano Ramos elabora a noção de despersonalização em sua narrativa autobiográfica em Memórias do Cárcere? Pretendemos analisar os recursos literários e o contexto sócio-histórico da crítica ao dispositivo penal na obra desse autor. O trabalho adota referenciais de estudos bibliográficos da crítica tradicional do autor, Miranda (2009), Sodré (1985), estudos relativos à escrita autobiográfica (Lejeune, 2014), além de estudos do campo da sociologia e história das prisões e da violência e que abordam, de forma mais ampla os efeitos do encarceramento sobre a identidade do sujeito (Goffman, 2015).