Padrões de Ocupação de Conchas por Calcinus tibicen (Herbst, 1791) na Península de Maraú, Bahia
Palavras-chave:
Ermitão, Ecologia, Morfometria, Gastrópodes, CrustaceaResumo
Os ermitões são crustáceos decápodes que dependem de conchas vazias de gastrópodes para proteção do abdome e desenvolvimento, tornando a seleção desses abrigos um importante aspecto de sua ecologia. Nesse contexto, o presente estudo teve como objetivo analisar os padrões de ocupação de conchas por Calcinus tibicen (Herbst, 1791) na Península de Maraú, Bahia, identificando as espécies de gastrópodes utilizadas, determinando suas frequências de ocupação e avaliando a relação entre as dimensões dos indivíduos e das conchas ocupadas. Foram utilizados dados da Península de Maraú, coletados durante o período de 2009 a 2019. Realizou-se a identificação e quantificação das espécies de gastrópodes utilizadas como abrigo por C. tibicen, seguida do cálculo das frequências absolutas e relativas de ocupação das conchas. Também foram analisadas medidas morfométricas dos indivíduos, representadas pelo comprimento do escudo cefalotorácico (CEC), e das conchas utilizadas, incluindo largura da abertura da concha (LAC), altura da abertura da concha (AAC) e comprimento total da concha (CTC). Foram calculadas estatísticas descritivas e coeficientes de correlação entre as variáveis morfométricas. Ao todo, foram analisados 111 indivíduos de C. tibicen distribuídos em conchas pertencentes a 17 espécies de gastrópodes. A espécie mais utilizada foi Gemophos auritulus (Link, 1807), responsável por 54,95% das ocupações registradas, seguida por Pisania pusio (Linnaeus, 1758), Stramonita rustica (Lamarck, 1822), Lithopoma tectum (Lightfoot, 1786) e Vasula deltoidea (Lamarck, 1822). Considerando o conjunto de conchas ocupadas, as análises morfométricas revelaram médias de 3,58 mm para CEC, 12,05 mm para LAC, 5,54 mm para AAC e 23,33 mm para CTC. As correlações indicaram associações positivas entre o tamanho dos indivíduos e as dimensões das conchas, sendo observada correlação forte entre CEC e LAC (r = 0,745), correlação muito forte entre CEC e AAC (r = 0,825) e correlação forte entre CEC e CTC (r = 0,762). A predominância de G. auritulus pode estar relacionada tanto à sua disponibilidade no ambiente quanto à adequação de suas características morfológicas para C. tibicen. Além disso, os resultados sugerem que indivíduos maiores tendem a ocupar conchas maiores, evidenciando um ajuste morfológico entre o ermitão e o recurso utilizado. Esse padrão evidencia a importância da compatibilidade entre as características da concha e o tamanho corporal dos indivíduos na utilização dos recursos disponíveis no ambiente. Conclui-se que C. tibicen apresenta padrões específicos de ocupação de conchas na Península de Maraú, com predominância de G. auritulus, além de forte associação entre o tamanho corporal e as dimensões das conchas, contribuindo para o entendimento da ecologia de utilização de recursos por ermitões na costa baiana.
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