Letramento em saúde e ensino de biologia na extensão inclusiva da APAE
Palavras-chave:
saúde, multissensorialidade, APAE, inclusão, extensãoResumo
As evidências apontam que a educação em saúde inclusiva e a valorização de diferentes formas de aprendizagem favorecem o acesso equitativo às informações em saúde, desde que culturalmente responsivas, acessíveis e acompanhadas por ações que superem barreiras sociais e estruturais (Leelavathi; Chinta, 2026). O projeto de extensão “Letramento em saúde inclusivo: Estratégias multissensoriais para a prevenção da obesidade e da diabetes na APAE” (Edital 212/2025) fundamenta-se na promoção da educação em saúde por meio de práticas extensionistas que articulam ensino, pesquisa e compromisso social. A iniciativa teve como objetivo traduzir conhecimentos científicos das Ciências Biológicas em recursos pedagógicos acessíveis, por meio de metodologias multissensoriais, lúdicas e interativas voltadas à prevenção da obesidade e do diabetes, e à promoção do letramento em saúde inclusivo. Buscou-se valorizar diferentes formas de aprendizagem, incentivar hábitos de vida saudáveis, aproximar universidade e comunidade e favorecer o protagonismo de pessoas com deficiência atendidas pela APAE, sobretudo por meio da multissensorialidade, que ampliou o caráter interativo e favoreceu a inclusão de pessoas com deficiência visual e múltipla. Trata-se de um relato de experiência extensionista, de natureza descritiva (Villamin et al., 2024), realizado na APAE no turno vespertino, com participação de 12 assistidos. As dinâmicas incluíram uma maquete tátil, confeccionada com barbantes, papel EVA liso, papel EVA texturizado, algodão, cartolina e papelão, proporcionando diferentes estímulos táteis, voltada ao ensino de nutrição vegetal e nutrição humana saudável. As observações registradas em diário de campo durante as atividades foram sistematizadas em três eixos analíticos: (i) acessibilidade pedagógica e multissensorialidade; (ii) participação e interação dos assistidos; e (iii) compreensão dos conceitos biológicos. Quanto ao eixo da acessibilidade pedagógica e multissensorialidade, a utilização de materiais táteis tornou os conceitos mais acessíveis, especialmente para assistidos com deficiência visual e múltipla. No eixo da participação e interação dos assistidos, a exploração direta das maquetes favoreceu o envolvimento dos assistidos, evidenciando o potencial da ludicidade para estimular o interesse e a participação. No eixo da compreensão dos conceitos biológicos, observou-se que os assistidos identificaram a relação entre água, luz solar, solo, raízes e folhas na nutrição vegetal, associando esses processos à produção de alimentos e à importância de escolhas alimentares saudáveis para a prevenção da obesidade e do diabetes, demonstrando apropriação dos conteúdos trabalhados. Tal constatação reforça a relevância de recursos pedagógicos multissensoriais como estratégia relevante para públicos com necessidades específicas de aprendizagem. Conclui-se que o objetivo foi alcançado ao promover a tradução do conhecimento acadêmico em práticas acessíveis e inclusivas, aproximando universidade e comunidade. Os resultados sugerem que as atividades desenvolvidas favoreceram o aprendizado, a participação e a conscientização sobre o tema, evidenciando que as metodologias multissensoriais constituem uma estratégia promissora para ações extensionistas voltadas à promoção da saúde de pessoas com deficiência.
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