Redes de poder, dados e matemática: um comentário sobre a influência das big techs na educação básica

Autores

Palavras-chave:

Letramento Algorítmico, Educação Matemática Crítica, Mercantilização da educação, Colonialismo de dados, Plataformização

Resumo

Este trabalho tem como objetivo apresentar a fundamentação teórica de uma pesquisa em andamento sobre a influência das big techs no ensino de matemática na Educação Básica. A pesquisa analisa criticamente como as grandes corporações tecnológicas e o modelo mercadológico reconfiguram o sentido do ensino de matemática, subordinando suas finalidades formativas à lógica do lucro, à padronização curricular e à extração de dados. Trata-se de uma pesquisa de abordagem qualitativa, de caráter exploratório e bibliográfico, cuja coleta de dados foi realizada por meio de levantamento em bases acadêmicas, com análise de conteúdo (Bardin, 2016) a partir de categorias temáticas como mercantilização, plataformização, colonialismo digital, solucionismo tecnológico e Educação Matemática Crítica. O referencial teórico mobiliza autores como Laval (2019) e Apple (2003) para discutir a mercantilização neoliberal da educação; Matta, Ribeiro e Pamplona (2025) e Meireles e Adão (2025) para abordar a plataformização do ensino; Silveira, Cassino e Souza (2021) e Faustino e Lippold (2023) para analisar o colonialismo de dados e o colonialismo digital; e Morozov (2018) para problematizar o solucionismo tecnológico. Como contraponto, a Educação Matemática Crítica, formulada por Skovsmose (2001) e Alrø e Skovsmose (2010), oferece subsídios para ressignificar o ensino, formando cidadãos capazes de questionar os usos sociais da matemática. A discussão incorpora a perspectiva de Nina da Hora (2022; 2025), que desmonta a suposta neutralidade da tecnologia e evidencia a necessidade de soberania digital e de uma educação conectada à vida concreta dos estudantes. Conclui-se que as redes operadas pelas big techs não são meramente técnicas, mas políticas e econômicas, estruturadas por interesses que reduzem a educação a um fluxo de dados. A Educação Matemática Crítica emerge como caminho para que educadores e estudantes possam decifrar e agir sobre essas redes, reivindicando uma educação pública, democrática e comprometida com a justiça social, em sintonia com o tema do evento "Redes da Vida, como tudo está conectado".

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Referências

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Publicado

13-10-2026

Como Citar

MORENO, João Paulo Santos. Redes de poder, dados e matemática: um comentário sobre a influência das big techs na educação básica. Evento Integrado PROCIEMA, [S. l.], v. 3, p. 430–439, 2026. Disponível em: https://anais2.uesb.br/index.php/eiprociema/article/view/8126. Acesso em: 22 out. 2026.

Edição

Seção

EIXO 6: ESTUDOS E PESQUISAS EM MATEMÁTICA