Padrões de nidificação da abelha jataí (Tetragonisca angustula Latreille, 1811) em ambiente urbano-acadêmico no campus da UESB, Vitória da Conquista (BA)
Palavras-chave:
abelhas sem ferrão, urbanização, conservaçãoResumo
A disponibilidade de cavidades naturais constitui um dos principais fatores que determinam a distribuição e o sucesso reprodutivo de abelhas sem ferrão. Em ambientes urbanizados, a remoção de árvores maduras e a redução de ocos naturais podem limitar os locais de nidificação, favorecendo a utilização de estruturas antrópicas por espécies com maior plasticidade ecológica. Nesse contexto, este trabalho teve como objetivo caracterizar os substratos de nidificação da abelha Jataí, Tetragonisca angustula (Latreille, 1811), no campus da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), em Vitória da Conquista (BA), avaliando a utilização de cavidades naturais e artificiais. O levantamento foi realizado por meio de busca ativa das colônias entre fevereiro e junho de 2025, registrando-se o tipo de substrato utilizado, a espécie vegetal quando presente, a altura da entrada do ninho em relação ao solo e o diâmetro do substrato arbóreo. Foram identificadas sete colônias, das quais quatro (57,1%) estavam instaladas em árvores e três (42,9%) em estruturas antrópicas, representadas por calçada, muro e tubo de esgoto. Entre as colônias arbóreas, três (75%) ocorreram em indivíduos de amendoim-bravo (Pterogyne nitens) e uma (25%) em algaroba (Neltuma juliflora), espécie exótica. A altura dos ninhos variou de 0,29 a 1,55 m em relação ao solo, enquanto o diâmetro dos substratos arbóreos variou de 44 a 83 cm, com média de 57,75 cm. A elevada frequência de colônias utilizando estruturas artificiais evidencia a capacidade adaptativa de Tetragonisca angustula frente às modificações da paisagem urbana. Ao mesmo tempo, esse padrão pode refletir a escassez de cavidades naturais disponíveis para nidificação, especialmente em áreas com reduzida disponibilidade de árvores maduras e que apresentem uma cavidade natural. Os resultados demonstram que, embora a espécie mantenha preferência por cavidades em árvores, a ocupação de estruturas construídas pelo homem representa uma estratégia alternativa para a manutenção das colônias. Dessa forma, o estudo reforça a importância da conservação de árvores com cavidades naturais e do planejamento da arborização urbana, visando ampliar a oferta de sítios de nidificação e contribuir para a conservação dos meliponíneos. Como estratégia complementar de conservação, a criação e o manejo de enxames em caixas racionais podem contribuir para ampliar a disponibilidade de locais adequados para nidificação e favorecer a manutenção das populações de meliponíneos em ambientes urbanos.
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