O uso de vídeos animados no ensino da matemática básica na EPJAI: reflexões para uma proposta de oficina
Palavras-chave:
Educação Matemática, EPJAI, Vídeos Digitais, EtnomatemáticaResumo
A Educação de Pessoas Jovens, Adultas e Idosas (EPJAI) cumpre um papel fundamental na democratização do ensino, atendendo a um público com trajetórias escolares descontinuadas. Na Matemática, esses educandos frequentemente apresentam bloqueios decorrentes de metodologias tradicionais descontextualizadas, focadas na repetição e na abstração excessiva, em que o conhecimento é apenas depositado pelo docente. A superação dessas barreiras do ensino tradicional exige abordagens que valorizem a bagagem sociocultural dos alunos e articulem os saberes matemáticos às práticas cotidianas. Nesse contexto, estas reflexões iniciais para uma proposta de oficina, desenvolvida no âmbito do PETI Interdisciplinar, objetiva o planejamento e a produção de vídeos animados destinados ao ensino de matemática básica na EPJAI, com a finalidade de desmistificar a disciplina e promover o letramento matemático. A pesquisa encontra-se em desenvolvimento e, em sua etapa inicial, adota uma abordagem qualitativa, por meio de pesquisa bibliográfica e do planejamento pedagógico das animações. Este estudo apoia-se na Etnomatemática, valorizando os saberes matemáticos que os estudantes já praticam em seus contextos culturais, de trabalho e nas relações comerciais do dia a dia, e compreende o vídeo como uma linguagem que articula diferentes formas de comunicação (visuais, sonoras e gestuais), ampliando as possibilidades de representação e de construção dos conhecimentos matemáticos. Nessa perspectiva, parte-se do entendimento de que as potencialidades do vídeo não decorrem da tecnologia em si, mas da forma como ela é integrada ao planejamento pedagógico. Os resultados parciais, focados no desenho metodológico da pesquisa, evidenciam que a movimentação didática para o formato audiovisual demanda estratégias sistemáticas de elaboração: o uso de narrativas cotidianas pode auxiliar na aproximação com a realidade do aluno; a linguagem visual acessível proporciona um ambiente de aprendizagem mais acolhedor e menos intimidador do que as aulas puramente expositivas; a fragmentação do conteúdo em vídeos curtos favorece a assimilação gradativa; e a formatação otimizada para dispositivos móveis possibilita a continuidade dos estudos fora do ambiente escolar. Espera-se que produção e aplicação dessas animações contribuam para ampliar o repertório metodológico das aulas de matemática na Educação de Pessoas Jovens, Adultas e Idosas, favorecendo um aprendizado matemático contextualizado e emancipador, capaz de aumentar o engajamento e combater a evasão escolar na EPJAI.
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