Curso técnico em meio ambiente em uma escola estadual: tensionamentos entre tecnicismo e educação ambiental crítica

Autores

  • Maria Aparecida Alves Dias Southwest Bahia State University image/svg+xml
  • Maria do Perpétuo Socorro de Lima Costa Southwest Bahia State University image/svg+xml

Palavras-chave:

Educação Ambiental, Educação Profissional e Tecnológica, currículo, tecnicismo, ensino técnico

Resumo

Este trabalho apresenta resultados parciais de uma pesquisa que investiga os tensionamentos entre políticas educacionais orientadas por racionalidades tecnicistas e pragmáticas e a perspectiva da Educação Ambiental crítica no Curso Técnico em Meio Ambiente do Colégio Estadual Professora Lia Públio de Castro, localizado no distrito de Ibitira, município de Rio do Antônio, Bahia. O objetivo é analisar como essas concepções se constituem e se materializam no Projeto Pedagógico de Curso, nos planos de ensino e nas práticas pedagógicas. Trata-se de pesquisa qualitativa, delineada como estudo de caso. Na etapa concluída, realizou-se revisão bibliográfica narrativa sobre Educação Profissional e Tecnológica, macrotendências da Educação Ambiental, currículo e ambientalização, articulada à análise documental do marco normativo nacional e baiano. Nas fases seguintes, serão examinados o Projeto Pedagógico de Curso, a matriz curricular e os planos de ensino, bem como realizadas entrevistas semiestruturadas com docentes e discentes, mediante aprovação ética. Os dados serão submetidos à análise de conteúdo categorial-temática e à triangulação entre documentos institucionais, legislação e relatos dos participantes. Os resultados parciais evidenciam que a Educação Profissional brasileira permanece atravessada pela dualidade entre formação integral e preparação instrumental para o mercado, enquanto a Educação Ambiental reúne orientações conservacionistas, pragmáticas e críticas. A análise normativa indica que a dimensão ambiental deve integrar o processo educativo de modo contínuo, interdisciplinar e territorializado, com atenção às mudanças climáticas, à biodiversidade, aos riscos socioambientais e às desigualdades. Em discussão, observa-se que a presença de componentes ambientais no currículo não garante, por si, uma formação crítica, pois conteúdos como resíduos, licenciamento e saneamento podem ser tratados como procedimentos operacionais ou relacionados aos conflitos territoriais, ao trabalho e à justiça socioambiental. Conclui-se, nesta fase, que a análise do curso deve considerar tanto o cumprimento formal das normas quanto os sentidos atribuídos às práticas formativas. A continuidade do estudo permitirá verificar convergências, distanciamentos e silenciamentos entre o currículo prescrito, o currículo regulamentado e o currículo vivenciado, subsidiando a elaboração de um caderno didático voltado ao fortalecimento da Educação Ambiental crítica no Curso Técnico em Meio Ambiente na rede estadual de ensino da Bahia.

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Publicado

13-10-2026

Como Citar

DIAS, Maria Aparecida Alves; COSTA, Maria do Perpétuo Socorro de Lima. Curso técnico em meio ambiente em uma escola estadual: tensionamentos entre tecnicismo e educação ambiental crítica. Evento Integrado PROCIEMA, [S. l.], v. 3, p. 52–53, 2026. Disponível em: https://anais2.uesb.br/index.php/eiprociema/article/view/8206. Acesso em: 22 out. 2026.

Edição

Seção

EIXO 1: DIFUSÃO DO CONHECIMENTO CIENTÍFICO