Curso de meliponicultura para iniciantes como estratégia de educação ambiental: relato de experiência de extensão universitária na UESB
Palavras-chave:
abelhas nativas, biodiversidade, sustentabilidade, popularização da ciência, conservaçãoResumo
A meliponicultura, caracterizada pela criação racional de abelhas nativas sem ferrão, constitui uma prática de manejo sustentável de reconhecida importância para a conservação da biodiversidade, a manutenção dos serviços ecossistêmicos e a promoção da educação ambiental (NOGUEIRA-NETO, 1997). As abelhas sem ferrão desempenham papel fundamental na polinização de espécies nativas e cultivadas, contribuindo para a conservação dos ecossistemas e para a produção agrícola. Nesse contexto, as ações de extensão universitária desempenham papel essencial na popularização da ciência e na aproximação entre universidade e sociedade. Entre essas iniciativas, destaca-se o projeto de extensão “Valorização e divulgação da Apicultura e Meliponicultura em Vitória da Conquista e região”, desenvolvido pelo Setor de Apicultura da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), que busca difundir conhecimentos científicos sobre a biologia, o manejo e a importância ecológica das abelhas sem ferrão. O presente trabalho busca relatar a experiência do curso de meliponicultura para iniciantes, desenvolvido no âmbito desse projeto, evidenciando sua contribuição para a educação ambiental, a difusão científica e o fortalecimento da interação entre universidade e comunidade. O curso, com carga horária de quatro horas, foi estruturado em atividades teóricas e práticas, abordando conteúdos sobre morfologia, organização social, arquitetura dos ninhos, captura e manejo em caixas racionais, além da importância ecológica das abelhas sem ferrão. A etapa prática compreendeu a confecção de iscas PET e a demonstração da transferência de uma colônia para caixa racional, possibilitando aos participantes contato direto com técnicas básicas de manejo e favorecendo a consolidação dos conhecimentos apresentados. Em virtude da elevada demanda, a atividade foi ofertada em duas turmas. Os resultados evidenciaram elevado engajamento dos participantes, observado pela participação ativa nas atividades, interação com os ministrantes e interesse nas técnicas apresentadas. A avaliação qualitativa demonstrou ampla aceitação da proposta, com relatos que evidenciaram motivação para a implantação de meliponários, ampliação dos conhecimentos sobre as abelhas nativas sem ferrão e adoção de práticas voltadas à conservação ambiental. Os resultados reforçam a relevância da extensão universitária como estratégia de popularização da ciência, promovendo a construção compartilhada do conhecimento e fortalecendo a aproximação entre universidade e sociedade. Conclui-se que o curso constituiu uma ferramenta efetiva de educação ambiental e difusão científica, contribuindo para a valorização das abelhas sem ferrão, o fortalecimento da relação entre universidade e comunidade e a formação de agentes multiplicadores comprometidos com a conservação das abelhas nativas sem ferrão e da biodiversidade.
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