Do laboratório à sala de aula: ensinando o sistema ABO por meio da experimentação

Autores

Palavras-chave:

Sangue, Ensino de Genética, Educação Básica, Metodologias, Recursos Didáticos

Resumo

A Genética e compatibilidade dos grupos sanguíneos humanos desperta interesse discente e é assunto essencial para a cidadania e avaliações externas.. Entretanto, seu ensino ainda apresenta desafios relacionados à abstração e à complexidade de conceitos e a inadequabilididade de trabalharmos com material biológico real.. Nesse contexto, a utilização de metodologias ativas e sequências didáticas torna-se uma estratégia importante favorecer a aprendizagem significativa. Os grupos sanguíneos no sistema ABO foram descobertos por Karl Landsteiner a partir de experimentos que demonstraram diferentes padrões de aglutinação entre amostras de sangue e soro, permitindo a tipagem. O presente trabalho teve como objetivo descrever a aplicação de uma aula prática, baseada em uma sequência didática, para o ensino do sistema ABO a estudantes da educação básica. A proposta foi desenvolvida a partir de uma adaptação do experimento clássico de Landsteiner, publicada na revista Genética na Escola, utilizando materiais de baixo custo para simular as reações de aglutinação. Inicialmente, foram preparados os reagentes utilizados na prática, sendo as amostras sanguíneas representadas por uma mistura de leite e corante alimentício vermelho. Os soros Anti-A e Anti-B foram simulados, respectivamente, por soluções contendo água, corante alimentício azul e vinagre, e água com corante alimentício amarelo. Antes da realização da atividade experimental, foi ministrada uma aula expositiva dialogada abordando os principais conceitos relacionados ao sistema ABO, incluindo antígenos, anticorpos, fenótipos e genótipos. Em seguida, estudantes de sete turmas do 3º ano do ensino médio receberam uma situação-problema que direcionou a prática investigativa, na qual deveriam identificar os grupos sanguíneos de diferentes amostras por meio da interpretação das reações de aglutinação observadas e, posteriormente, determinar os possíveis genótipos dos indivíduos analisados. Durante a execução da atividade, observou-se ampla participação dos estudantes, elevado interesse e entusiasmo na realização do experimento, além de intensa interação entre os grupos durante a discussão dos resultados. A prática permitiu relacionar os conceitos teóricos ao fenômeno observado, favorecendo a compreensão de que o soro Anti-A reage na presença do antígeno A, característico dos grupos A e AB, enquanto o soro Anti-B reage na presença do antígeno B, presente nos grupos B e AB. Além disso, a realização da atividade em ambiente laboratorial proporcionou uma experiência diferenciada em relação ao contexto tradicional da sala de aula, despertando maior curiosidade e envolvimento dos participantes. Ao final da sequência didática, verificou-se que a metodologia prática contribuiu para facilitar a compreensão dos conceitos relacionados ao sistema ABO, promovendo maior protagonismo discente e fortalecendo o processo de ensino e aprendizagem. Dessa forma, conclui-se que atividades experimentais de baixo custo constituem ferramentas didáticas eficientes para o ensino de Genética, tornando os conteúdos mais concretos, acessíveis e significativos aos estudantes. 

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

Cezar de Mello, P. F. T., & Gonçalves, P. R. (2020). Nos passos de Karl Landsteiner: incompatibilidades transfusionais e grupos sanguíneos através do ensino por investigação. Genética Na Escola, 15(2), 180–193. https://doi.org/10.55838/1980-3540.ge.2020.348

Downloads

Publicado

13-10-2026

Como Citar

VERDI, Ana Júlia Oliveira; MACHADO, Anderson Ferreira Pinto. Do laboratório à sala de aula: ensinando o sistema ABO por meio da experimentação . Evento Integrado PROCIEMA, [S. l.], v. 3, p. 64–65, 2026. Disponível em: https://anais2.uesb.br/index.php/eiprociema/article/view/8241. Acesso em: 22 out. 2026.

Edição

Seção

EIXO 1: DIFUSÃO DO CONHECIMENTO CIENTÍFICO