Meninas nas Ciências e na Matemática: as áreas das Ciências Exatas e da Natureza como opção profissional feminina
Palavras-chave:
Racismo Ambiental, Feminismo, Gênero, RaçaResumo
O presente trabalho tem como objetivo relatar as vivências do projeto de pesquisa e extensão universitária "Meninas nas Ciências e na Matemática", coordenado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e representado na região Nordeste pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), em parceria com duas escolas estaduais do município de Itapetinga (BA): o Colégio Polivalente e o Colégio Modelo Luís Eduardo Magalhães. O projeto fundamenta-se na formação docente para o enfrentamento das desigualdades de gênero e raça, que historicamente afastam meninas, especialmente negras, das áreas das Ciências Naturais, da Matemática, das Engenharias e da Computação. Os núcleos foram constituídos por duas professoras e dez alunas da rede pública, sendo a maioria delas negras, tanto entre as docentes quanto entre as estudantes. O desenvolvimento das atividades iniciou-se com um curso de formação docente voltado às temáticas de raça e gênero. A partir dessa formação, foi elaborada uma sequência didática fundamentada na abordagem dos Três Momentos Pedagógicos (3 MPs), proposta por Delizoicov, Angotti e Pernambuco (2002), desenvolvida em encontros semanais. Na etapa de problematização inicial, buscou-se compreender as manifestações do racismo ambiental a partir das enchentes ocorridas no município de Itapetinga (BA), entre os anos de 2021 e 2022. Na etapa de organização do conhecimento, por meio de rodas de conversa, discutiram-se questões ambientais e suas relações com as desigualdades sociais. Paralelamente, foram mobilizados conhecimentos de Física e Matemática para aprofundar a temática, por meio de atividades investigativas e experimentais, como a construção de um pluviômetro caseiro, a realização de cálculos de precipitação, o estudo da Matemática aplicada aos desastres naturais e a realização de entrevistas com moradoras afetadas pelas enchentes. Também foram abordados conceitos de Física, como as escalas termométricas, articulando-os à compreensão dos fenômenos climáticos. A proposta contemplou, ainda, uma visita aos laboratórios de Dispersão de Poluentes e de Hidráulica da UESB, onde as estudantes conheceram o funcionamento de um pluviômetro e de uma estação meteorológica. Na etapa de aplicação do conhecimento, as alunas socializaram os conhecimentos construídos com a comunidade escolar, evidenciando a apropriação dos conceitos científicos e das reflexões acerca das desigualdades socioambientais presentes em seu território. Dessa forma, a proposta reafirmou a extensão universitária como um espaço privilegiado de interação dialógica entre diferentes saberes, favorecendo a construção coletiva do conhecimento e o enfrentamento crítico das desigualdades socioambientais no contexto escolar.
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