Diagnóstico ambiental do rio Verruga no sudoeste da Bahia, Brasil
Palavras-chave:
área de preservação permanente, impacto ambiental, mata ciliar, poluição hídrica, sistema lóticoResumo
A conservação dos recursos hídricos no nordeste brasileiro é precária, principalmente porque muitas das bacias hidrográficas, que seriam as fontes naturais de água para as cidades, estão poluídas ou com vazão reduzida. O objetivo deste trabalho foi avaliar a qualidade ambiental do rio Verruga, sudoeste da Bahia, analisando parâmetros ecológicos, físicos e químicos nos trechos Bagaceira (B), Santa Marta (SM) e Avenida (A). Em cada trecho foram selecionados três pontos amostrais, distantes 10 metros entre si. Nestes pontos foram avaliadas, em abril de 2025, as características ecológicas com o uso de um Protocolo de Avaliação Rápida da Diversidade de Habitats (PAR), e as físico e químicas (CFQ) da água, com o uso de um aparelho multiparâmetro. As CFQ registradas da água foram temperatura (T), salinidade (S), pH, condutividade elétrica (C); oxigênio dissolvido (OD) e sólidos dissolvidos totais (SDT). Segundo resoluções vigentes e a literatura, os limites adequados para corpos hídricos são: T ≤ 40 ºC; S ≤ 0,5 PSU; pH entre 6 e 9; CE < 100 µS/cm; OD entre 4,0 e 6,0 mg/L; e SDT ≤ 500 mg/L. Todos os dados coletados foram avaliados descritivamente. Os resultados do PAR mostraram que em todos os trechos os leitos são rasos e assoreados, enquanto as margens apresentam erosão, solo exposto e pouca ou nenhuma mata ciliar nativa, e descarte de resíduos sólidos como plásticos, metais e até móveis (sofás). Quanto as CFQ, os resultados variaram. Em todos os trechos, os valores de A T, S e pH estavam dentro da faixa esperada, e em contraste, os valores da C estavam acima do esperado. O OD e os SDT nos trechos SM e A apresentaram valores dentro do limite mínimo recomendado, enquanto no trecho B, esses parâmetros apresentaram alteração, 3,8 mg/L e 549 mg/L, respectivamente. Esses resultados, somados ao forte odor de "ovo podre" registrado e a presença de oleosidade moderada e espumas na superfície da água, são indícios do descarte e decomposição anaeróbica de esgoto industrial e/ou doméstico. Juntos, esses dados demonstram que a calha principal do rio Verruga apresenta características ecológicas, físico e químicas alteradas e que dificultam a sobrevivência da biota, usos múltiplos e afetam os serviços ecossistêmicos providos por esse ecossistema aquático. Neste sentido, ressalta-se a importância do estabelecimento e reforço de medidas mitigadoras como recuperação e proteção das áreas de preservação permanente, controle do descarte de efluentes e resíduos sólidos, melhoria na fiscalização, fortalecimento das Unidades de conservação presentes e a ampliação dos projetos de educação ambiental para a população. Conclui-se que o rio Verruga apresenta qualidade ambiental severamente comprometida por impactos ambientais diversos e que exigem intervenções urgentes para evitar que a degradação se torne irreversível.
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