ODEERE: Diálogos sobre relações raciais e relações étnicas no ensino, pesquisa e extensão
Palavras-chave:
ODEERE, Decolonialidade, Relações étnico-raciais, AquilombamentoResumo
Há 20 anos, o ODEERE - Órgão de Educação e Relações Étnicas da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, se tornou uma rede ao qual chamamos de Quilombo Acadêmico. O ODEERE enquanto espaço de aquilombamento vem nos ensinando qual a relação do conhecimento com a prática humana. Portanto, este espaço se tornou local de um fazer acadêmico pós colonial, decolonial, contra colonial, que se insurge contra uma epistemologia monocultural, que ensina sobre o impacto da descontinuidade, da desnormalização de práticas educativas. Nestes 20 anos buscamos fomentar um posicionamento político-ideológico que reconheça o sentido do outro, das outras culturas, das outras etnicidades; um trabalho educativo étnico e racial. Este trabalho vem sendo feito, através de várias atividades: Cursos de extensão, Cursos de pós-graduação Lato Sensu e Stricto Sensu, projetos educativos com crianças, eventos esporádicos. Como nos diz Joaquim Severino (1998. p.33), “...a função do conhecimento é substantivamente intencionalizar a prática...”. Por isso, Severino (idem) nos diz que “antes de perguntar como o problema se coloca em relação ao conhecimento é preciso saber qual o lugar que o conhecimento ocupa em nossa existência” Aqui estamos diante de uma pergunta que, cada um de nós, que vem construindo o projeto ODEERE, deve buscar se fazer: Qual o lugar que o conhecimento ocupa em nossa existência? Para melhor entender por que essa pergunta deve instigar a cada um de nós que adentra ao ODEERE, é preciso conhecer a história do ODEERE e as suas atividades de extensão, pesquisa e ensino. Entre as muitas possibilidades de construção, sobre o tema aqui proposto, privilegiei dividir o texto em duas partes. Na primeira, situo o ODEERE como Órgão de Educação das Relações Étnicas da UESB, órgão que nasce com a perspectiva de pesquisar, discutir e debater questões raciais e étnicas. Na segunda parte, me dirijo para pensar no ODEERE como espaço que busca pensar sobre epistemologias que visem uma educação da diferença, inclusiva e pluriversitária. Neste sentido, é um espaço onde as fronteiras se estabelecem.
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