PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DA LEISHMANIOSE NO MUNICÍPIO DE JEQUIÉ ENTRE 2014 - 2024
Palavras-chave:
Doenças negligenciadas, Leishmaniose, Leishmaniose Mucocutânea, Leishmaniose VisceralResumo
Introdução: As leishmanioses são um conjunto de doenças causadas por protozoários do gênero Leishmania e da família Trypanosomatidae, é transmitida ao homem, mamíferos silvestres e domésticos por insetos vetores ou flebotomíneos conhecido popularmente como mosquito palha. Ela representa dois grupos principais, a Leishmaniose Tegumentar que causa lesões na pele, mucosas e ulcerações, e a Leishmaniose Visceral, no qual afeta as vísceras sobretudo fígado, baço, gânglios linfáticos e medula óssea, podendo levar à morte quando não tratada. Objetivo: Descrever o perfil epidemiológico da Leishmaniose em Jequié-Ba entre os anos de 2014 a 2024, destacando tendências temporais, características sociodemográficas, gravidade clínica e morbimortalidade. Método: Trata-se de um estudo epidemiológico, descritivo, de natureza quantitativa, que utilizou dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação, Sistema de Informações Hospitalares e Sistema de Informação de Mortalidade disponíveis no Departamento de Informação e Informática do SUS. Foram analisados casos notificados de 2014 a 2024, considerando variáveis como sexo, idade e raça. Resultados: Entre 2014 e 2024, o município de Jequié-BA registrou 339 casos de Leishmaniose, sendo 235 da forma tegumentar e 104 da visceral. O pico de notificações ocorreu em 2014 e 2015, com redução progressiva nos anos subsequentes, apresentando uma prevalência de 2,13 casos por 1.000 habitantes. Foram registradas 33 internações hospitalares, com maior acometimento em crianças de 1 a 9 anos e adultos entre 50 e 59 anos, predominando indivíduos pardos e sem diferença expressiva entre os sexos, apresentando taxa de internação de 2,07% por 10.000 habitantes. Em relação a mortalidade, houveram 2 óbitos durante o período analisado e a taxa para mortalidade geral foi de 0,012% por 1.000 habitantes. Discussão: O clima quente e a umidade variável da região do sudoeste da Bahia, especificamente, em Jequié contribuem para a criação de micro-habitats favoráveis. A maior incidência da doença em crianças de 1 a 9 anos e adultos entre 50 e 59 anos está relacionada à imaturidade imunológica e a presença de comorbidades ou imunossenescência respectivamente. A distribuição equilibrada entre os sexos sugere uma exposição ambiental semelhante. O predomínio de casos em pessoas pardas reflete desigualdades sociais, com maior exposição ao vetor e dificuldades no acesso à saúde. Apesar do número reduzido de internações e óbitos, esses dados indicam a gravidade potencial da doença, principalmente na forma visceral e em casos de diagnóstico tardio. Conclusão: A Leishmaniose em Jequié, entre 2014 e 2024, apesar da queda nos casos, continua sendo um problema relevante de saúde pública. A maior incidência entre crianças, adultos e pessoas pardas reflete desigualdades sociais, ambientais e imunológicas. Diante disso, são necessárias ações integradas com fortalecimento da vigilância epidemiológica, intensificação do controle do vetor com manejo ambiental e uso de inseticidas, além de campanhas educativas.
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