DOENÇAS TROPICAIS NEGLIGENCIADAS E SEUS DETERMINANTES SOCIOAMBIENTAIS: UMA ANÁLISE DA INCIDÊNCIA E DISTRIBUIÇÃO NO SUDOESTE DA BAHIA (2020–2025)
Palavras-chave:
Doenças negligenciadas, Doenças parasitárias, Vigilância em saúde públicaResumo
Introdução: As Doenças Tropicais Negligenciadas constituem um grupo de agravos infecciosos e parasitários cujo caráter de negligência é conferido, majoritariamente, pela sua prevalência em populações de baixa renda e de escasso acesso a serviços essenciais. Nesse contexto, decidiu-se analisar a incidência da esquistossomose, leishmaniose tegumentar e visceral, leptospirose e malária por representarem um desafio de saúde pública no sudoeste baiano, mediante seus determinantes socioambientais em saúde. Objetivo: Delinear o perfil de distribuição e incidência das doenças parasitárias a partir do panorama epidemiológico da região. Metodologia: O presente perfil epidemiológico do sudoeste baiano trata-se de um estudo descritivo retrospectivo, realizado em outubro de 2025, com dados secundários do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS), tendo o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) como principal fonte. Foram analisadas notificações de esquistossomose, leishmaniose tegumentar e visceral, leptospirose e malária na macrorregião de saúde do Sudoeste da Bahia, no período de janeiro de 2020 a julho de 2025. Os dados foram submetidos à análise descritiva, com cálculo de frequências anuais e mensais, visando identificar tendências, padrões e possíveis fatores relacionados à persistência dessas endemias na região. Resultados: Entre 2020 e 2025, registraram-se 1.321 casos das doenças analisadas no Sudoeste da Bahia. A leishmaniose tegumentar apresentou maior prevalência, com 671 casos, mantendo incidência anual estável. Em seguida, a esquistossomose contabilizou 516 casos, com variações interanuais e destaque para o pico de 306 casos em 2023, seguido de declínio nos anos subsequentes. A leishmaniose visceral totalizou 124 casos, com tendência de declínio progressivo, de 46 registros em 2020 para 10 em 2025. As demais doenças apresentaram baixa ocorrência, sendo a leptospirose responsável por 7 casos esporádicos e a malária registrada apenas uma vez, em 2020. Discussão: A análise dos registros de 2020 a 2025 revela que a leishmaniose tegumentar e a esquistossomose totalizam 89,85% dos 1321 casos notificados, evidenciando a persistência de condições socioambientais favoráveis à transmissão, como saneamento precário, exposição laboral, moradia em áreas com vetores e acesso irregular aos serviços de saúde, concentradas em contextos de vulnerabilidade social. A manutenção de centenas de casos anuais, sem redução proporcional às tecnologias de prevenção e controle disponíveis, indica descompasso entre as estratégias conhecidas e a resposta atualmente implementada. Ademais, a presença quase nula de doenças como malária e leptospirose em um contexto de saneamento deficiente é compatível com casos de subnotificação, sugerindo que a verdadeira carga de morbidade regional está provavelmente mascarada. Portanto, o perfil epidemiológico regional evidencia a associação dessas doenças a determinantes socioambientais, à subnotificação e à fragilidade da vigilância. Conclusão: Sumariamente, a análise e a interpretação dos dados demonstram a elevada incidência das endemias no sudoeste baiano, um padrão que se sustenta ao longo dos anos. Os achados permitem delinear o perfil epidemiológico regional que, portanto, traduz lacunas de priorização no planejamento em saúde, perpetuando ciclos de transmissão evitáveis. Assim, a situação reforça a necessidade de políticas públicas estruturadas para ampliar a equidade em saúde, visando reduzir a magnitude dessas doenças na região.
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Referências
- BRASIL. Ministério da Saúde. Departamento de Informática do SUS-DATASUS. Sistema de Informação de Agravos de Notificação - SINAN. Disponível em: https://datasus.saude.gov.br/acesso-a-informacao/doencas-e-agravos-de-notificacao-de-2007-em-diante-sinan/ . Acesso em: 05 out. 2025.
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