NEGLIGÊNCIAS POLÍTICAS E PREVALÊNCIA HISTÓRICA DA DOENÇA DE CHAGAS: REVISÃO DE LITERATURA
Palavras-chave:
Brasil, Doença de Chagas, Doenças negligenciadas, Política de SaúdeResumo
Introdução: A Doença de Chagas é uma infecção causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi possuindo manifestações clínicas em diferentes estágios. Ademais, a doença de Chagas é conhecida por causar óbitos no Brasil desde 1909, quando recebeu holofotes e foi estudada pelo sanitarista Carlos Chagas que elucidou os mecanismos de transmissão da doença. Desde então, políticas públicas foram estabelecidas considerando a literatura existente. No entanto, essa doença ainda se faz prevalente no cenário nacional devido às negligências políticas para enfrentamento da doença, reversão dos fatores que podem expor o indivíduo à infecção, precário sanitarismo em regiões marginalizadas, bem como pequenos incentivos políticos à ciência e pesquisa para tratamento da enfermidade em suas diferentes fases. Objetivo: Analisar evidências científicas brasileiras acerca das políticas públicas contra a doença de Chagas ofertadas à população. Metodologia: Estudo de abordagem qualitativa descritiva realizado por meio de uma revisão de literatura nas bases de dados da Scielo e Google Acadêmico, a partir de artigos publicados em português, no período de 2009 a 2024; A busca foi realizada utilizando os descritores em Ciências da Saúde (DECS): "Brasil", "Doença de Chagas", "Doenças negligenciadas" "Políticas de Saúde" utilizando o operador booleano AND. Resultados: Foram selecionados 6 estudos que retratam a prevalência da doença de Chagas no Brasil e a ineficácia das políticas públicas para combate dessa patologia. Assim, as evidências bibliográficas da chaga apontam que a desigualdade social e política, os aspectos culturais e ambientais gerais são motores da prevalência da enfermidade. Além disso, os dados também ratificam o baixo incentivo financeiro às pesquisas científicas de novos tratamentos. Discussão: Desse modo, as ações governamentais de prevenção são diretamente ligadas aos fatores habitacionais, enquanto os planos para controle populacional do vetor reduziram as infecções pela picada e evidenciaram a via oral como alternativa de infecção. Além disso, a proximidade da região de habitat dos vetores aumenta os riscos de contaminação de alimentos nas zonas rurais com baixo tratamento sanitário público. Essa rota de infecção torna-se mais frequente em regiões de insegurança alimentar, onde o acesso à alimentação é incerto. Outrossim, as capacidades socioeconômicas do paciente estão ligadas à sua ocupação profissional que expõe o indivíduo ao vetor. Além disso, o baixo investimento em educação preventiva em saúde e combate dessa chaga justifica-se na visão capitalista estabelecida ao sistema de saúde, na qual a lucratividade torna-se objeto central da saúde pública e, conforme essa visão, a ínfima quantidade de estudos farmacológicos ocorre pela baixa capacidade de retorno financeiro, uma vez que atinge a população mais vulnerabilizada. Considerações finais: Logo, com base na literatura exposta, pode-se sugerir que a Doença de Chagas prevalece, no Brasil, por negligências políticas. Assim, é imprescindível que o governo assegure habitações de qualidade, vigilância sanitária alimentícia na zona rural para evitar consumo de alimentos com fezes do vetor, investimentos em tecnologia e inovação medicamentosa pelo poder público para o tratamento da doença e educação permanente em saúde, com o fito de mitigar a prevalência da Doença de Chagas no Brasil.
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