ENTRE O SABER E O FAZER: RELATO DE EXPERIÊNCIA SOBRE A SAÚDE SEXUAL E REPRODUTIVA
Resumo
A extensão universitária, como função social das instituições públicas de ensino superior, integra ensino, pesquisa e demandas sociais, oferecendo experiências práticas que fortalecem a consciência cidadã dos estudantes. Este relato de experiência descritivo e qualitativo objetiva apresentar a vivência de uma bolsista do projeto “Educação para prevenção: uma questão de saúde sexual e reprodutiva”, da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, durante as ações extensionistas entre fevereiro e outubro de 2025. O projeto promove atividades educativas em saúde sexual e reprodutiva com adolescentes da rede pública de ensino, jovens e membros da comunidade acadêmica, utilizando metodologia participativa e dialógica, como dinâmicas e materiais educativos. Os resultados demonstram boa receptividade e engajamento dos participantes, favorecendo autonomia, empoderamento e reflexão crítica, apesar dos desafios como resistência cultural e timidez inicial. A experiência reforça ainda o papel transformador da extensão universitária, ao aproximar teoria e prática, promover aprendizado mútuo e contribuir para a formação de cidadãos críticos e responsáveis.
Contextualização:
A extensão universitária é uma função social essencial das instituições públicas de ensino superior, promovendo a integração entre ensino, pesquisa e demandas sociais. Por meio de ações que incentivam a troca de saberes acadêmicos e populares, favorecem a inclusão social, o desenvolvimento sustentável e o compromisso institucional com o bem-estar coletivo, além de proporcionar aos estudantes experiências práticas que fortalecem a consciência cidadã e desenvolvem habilidades sociais e profissionais (Política Nacional de Extensão Universitária, 2012).
As iniciativas extensionistas constroem soluções para problemas concretos, valorizam saberes locais e fomentam processos científicos, tecnológicos e culturais, contribuindo para uma sociedade mais democrática e inclusiva. Nesse contexto, a promoção da saúde sexual e reprodutiva entre adolescentes e jovens é estratégica, diante do início precoce da vida sexual e da exposição a gestações não planejadas e infecções sexualmente transmissíveis (Chabo; Martins, 2025).
As escolas tornam-se espaços privilegiados para fortalecer o conhecimento sexual dos adolescentes e orientá-los a exercer uma sexualidade responsável e consciente (Furlanetto et al, 2018). Inserir essa temática em projetos de extensão permite à universidade reduzir as vulnerabilidades, promover equidade e formar cidadãos críticos e respeitosos diante das questões relacionadas à sexualidade.
O projeto “Educação para Prevenção: Uma Questão de Saúde Sexual e Reprodutiva”, vinculado à Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), objetiva facilitar o acesso à informação qualificada e incentivar práticas saudáveis entre adolescentes e jovens da rede pública de ensino e da comunidade acadêmica. As atividades ocorrem em escolas públicas e nos pátios da universidade, por meio de rodas de conversa, oficinas e treinamentos internos voltados ao aprimoramento da equipe. Diante dos altos índices de gravidez precoce e ISTs, o projeto se destaca por promover conhecimento, autonomia e cidadania em meio a um cenário de desinformação e preconceitos.
Assim, este estudo objetiva relatar a experiência de uma bolsista durante as ações extensionistas desenvolvidas entre fevereiro e outubro de 2025 em uma universidade pública no interior da Bahia.
Aspectos metodológicos da experiência
Trata-se de um relato de experiência descritivo e qualitativo, baseado na vivência de uma bolsista do projeto “Educação para Prevenção: Uma Questão de Saúde Sexual e Reprodutiva”, desenvolvido na UESB, Campus de Jequié. O projeto realiza atividades educativas em saúde sexual e reprodutiva com adolescentes da rede pública, jovens universitários e membros da comunidade acadêmica, em escolas públicas municipais e nos espaços da universidade.
As ações extensionistas são planejadas e executadas por bolsistas, discentes voluntários e docentes, com reuniões periódicas para definição de cronogramas e estratégias pedagógicas. Utilizam-se metodologias participativas, como rodas de conversa, oficinas, dinâmicas e distribuição de materiais informativos. As vivências são registradas em anotações durante as atividades, possibilitando a construção reflexiva do relato.
A carga horária é contínua ao longo do ano letivo, com encontros regulares e ações externas conforme o calendário das escolas parceiras. Os princípios éticos foram respeitados, sem necessidade de aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa, visto que as informações utilizadas são de domínio público e não envolvem coleta de dados pessoais.
Refletindo com a experiência:
As ações promovem a autonomia juvenil por meio de metodologias participativas e linguagem acessível, favorecendo vínculos e a desconstrução de tabus, em consonância com a Política Nacional de Extensão Universitária (2012), que valoriza a troca de saberes e a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão.
Os resultados, como o engajamento dos adolescentes, reforçam a eficácia das metodologias interativas e da educação entre pares, que favorece o protagonismo juvenil e o aprendizado emancipatório (PADRÃO et al., 2021; CARVALHO; PINHEIRO, 2018). A presença dos universitários como mediadores aproxima o conteúdo científico da realidade dos jovens, estimulando o diálogo e reflexão crítica (Franco et al., 2020).
Entre os desafios, destacam-se a resistência inicial e as crenças culturais que limitam o diálogo sobre sexualidade e revelam lacunas no conhecimento sobre métodos contraceptivos e IST (Baldoino et al, 2018). Superar essas dificuldades requer sensibilidade, adaptação da linguagem e acolhimento.
Por outro lado, o apoio institucional e o trabalho coletivo entre bolsistas e docentes refletem os pilares da extensão universitária, como coautoria e compromisso social (Política Nacional de Extensão Universitária, 2012). Assim, experiência reforça o papel transformador da extensão universitária, contribuindo para a prevenção e promoção da saúde sexual e reprodutiva, a formação cidadã dos jovens e o fortalecimento do vínculo entre universidade e comunidade, ao articular conhecimento científico e demandas sociais.
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Referências
BALDOINO, Luciana et al. Educação em saúde para adolescentes no contexto escolar: um relato de experiência. BVS, v. 12, n. 4, p. 1161-1167, 2018.
BRASIL. Fórum de Pró-Reitores de Extensão das Universidades Públicas Brasileiras. Política Nacional de Extensão Universitária. Brasília: Fórum de Pró-Reitores de Extensão das Universidades Públicas Brasileiras, 2012.
CARVALHO, Cristiana Pereira de; PINHEIRO,Maria do Rosário Moura. De igual para igual: a Educação pelos Pares como estratégia educativa, transformadora e emancipatória. Cadernos UniFOA , Volta Redonda, n. 38, p.81-90, dez.2018
Chabo SPG, Martins JL. A Sexualidade Juvenil Numa Perspectiva Sociocultural. Saúde Coletiva (Edição Brasileira) [Internet]. 2025 [acesso ano mês dia];15(95):15872-15885.
FURLANETTO, M. F. et al. Educação sexual em escolas brasileiras: revisão sistemática da literatura. Cadernos de Pesquisa, v. 48, n. 168, p. 550–571, 1 jun. 2018.
FRANCO, Maurilo de Sousa et al. Educação em Saúde Sexual e Reprodutiva do Adolescente Escolar. Revista enfermagem UFPE, v. 14, p. e244493, 2020.
FURLANETTO, M. F. et al. Educação sexual em escolas brasileiras: revisão sistemática da literatura. Cadernos de Pesquisa, v. 48, n. 168, p. 550–571, 1 jun. 2018.
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