EDUCAÇÃO SOBRE A SAÚDE SEXUAL E REPRODUTIVA: REFLEXÕES A PARTIR DA EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA
Palavras-chave:
Adolescentes, Educação em Saúde, Saúde Reprodutiva, Saúde SexualResumo
Contextualização:
A saúde sexual e reprodutiva constitui-se um componente essencial do bem-estar humano e é reconhecida internacionalmente como um direito fundamental (WHO, 2015). A Organização Pan-Americana da Saúde (PAHO, 2018) reforça que o exercício saudável da sexualidade envolve aspectos físicos, psicológicos e sociais, e deve ocorrer de forma segura, responsável e livre de discriminação ou coerção. No Brasil, contudo, o tema ainda é permeado por tabus e desigualdades de gênero, o que dificulta o diálogo e o acesso à informação (Morais et al., 2020).
A adolescência é um período marcado por intensas transformações e descobertas, sendo também um momento de vulnerabilidade e necessidade de orientação (BRASIL, 2017). A ausência de políticas educativas efetivas e de espaços de escuta qualificada contribui para a perpetuação de comportamentos de risco e desinformação (Gonçalves et al., 2013). Nesse cenário, a educação em saúde sexual e reprodutiva torna-se essencial para a promoção da autonomia, do autocuidado e da cidadania (Bittencourt et al., 2024).
Diante disso, a universidade pública, por meio da extensão, assume papel fundamental ao articular o saber científico com as demandas sociais. O projeto de extensão intitulado “Educação para Prevenção: uma questão de saúde sexual e reprodutiva”, tem como proposta o desenvolvimento de práticas educativas voltadas para adolescentes e jovens, estimulando o diálogo, a reflexão crítica e o empoderamento.
Assim, este estudo objetiva relatar a experiencia de uma bolsista na extensão universitária no período de fevereiro e outubro de 2025 em uma universidade pública do sudoeste da Bahia.
Aspectos metodológicos da experiência
Trata-se de um relato de experiência, descritivo e exploratório, desenvolvido no âmbito do projeto de extensão “Educação para Prevenção: uma questão de saúde sexual e reprodutiva”, no período de fevereiro a outubro de 2025. O projeto é vinculado ao Departamento de Saúde II da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia e tem como finalidade promover a educação em saúde sexual e reprodutiva para adolescentes e jovens das escolas parceiras do município, além de envolver discentes universitários de diferentes cursos em ações extensionistas em sua formação.
Vale ressaltar, que as atividades extensionistas, referentes ao edital nº 033/2025, foram realizadas em escolas públicas estaduais do município, tendo como público-alvo adolescentes e jovens do ensino médio, além das ações com os acadêmicos universitários na própria universidade.
O planejamento das ações são conduzidos de forma coletiva, com a participação de docentes orientadores, bolsistas e discentes voluntários, em consonância com os princípios participativos e interdisciplinares preconizados pela Política Nacional de Extensão Universitária (FORPROEX, 2012), garantindo e contemplando a carga horária mínima de 12 horas e máxima de 20 para os bolsistas.
Para fundamentar a elaboração dos conteúdos e estratégias pedagógicas, são realizadas buscas nas bases de dados PubMed, Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), Scientific Electronic Library Online (SciELO) e Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), utilizando descritores de acordo as temáticas desenvolvidas, além de “Saúde Sexual”, “Saúde Reprodutiva” e “Educação em Saúde”. Essa busca na base de dados subsidia a criação de materiais didáticos e metodologias adequadas para aplicabilidade com o público-alvo.
As ações educativas são conduzidas com metodologias ativas e participativas, valorizando o protagonismo dos sujeitos e o diálogo horizontal (Oliveira et al., 2021). As práticas incluem rodas de conversa, dinâmicas sobre consentimento e relacionamentos saudáveis, prevenção de infecções sexualmente transmissíveis (IST), demonstração do uso de métodos contraceptivos e distribuição de materiais educativos elaborados pelos extensionistas. Todas as atividades respeitam os princípios éticos de confidencialidade, voluntariedade e consentimento institucional, garantindo o acolhimento e a privacidade dos participantes.
Refletindo com a experiência
As atividades extensionistas revelam-se fundamentais para o fortalecimento da autonomia e da consciência crítica dos adolescentes e jovens participantes. O diálogo aberto e o uso de metodologias ativas permitem a desconstrução de tabus e a construção coletiva de saberes, o que está em consonância com (Alencar et al. 2008), ao apontarem que espaços educativos participativos promovem aprendizado significativo e emancipador.
Durante as rodas de conversa, emergem dúvidas relacionadas ao uso correto dos preservativos, às formas de prevenção das infecções sexualmente transmissíveis bem como aos relacionamentos afetivos, demonstrando carência de informações básicas sobre saúde sexual e reprodutiva (Borduque et al., 2024). No decorrer destas ações, observa-se grande interesse do público e reconhecimento da importância de ações educativas como as promovidas pelo projeto em questão.
Para os extensionistas, a experiência proporcionou o desenvolvimento de competências essenciais à prática profissional em saúde, como empatia, comunicação, escuta ativa e postura ética (Cavalcante et al., 2020). A vivência prática favoreceu o entendimento das desigualdades sociais e das vulnerabilidades que afetam adolescentes, aproximando o ensino acadêmico da realidade social (Oliveira et al., 2021).
Para concluir é importante apontar que os resultados reforçam que a extensão universitária deve ser compreendida como processo formativo e transformador, integrando ensino, pesquisa e compromisso social. E que projetos dessa natureza fortalecem o papel da universidade como agente de mudança, contribuindo para a formação de profissionais críticos, éticos e comprometidos com a prevenção e promoção da saúde.
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Referências
Alencar, R. A. et al. Desenvolvimento de uma proposta de educação sexual para adolescentes. Ciência & Educação, Bauru, v. 14, n. 1, p. 159–168, 2008.
Bittencourt, G. G. et al. Desafios e impactos da educação sexual nas escolas: uma análise a partir da perspectiva da coordenação pedagógica da educação básica. Brazilian Journal of Integrated Health Sciences, v. 4, n. 1, p. 1-10, 2024.
Borduque, G. B. et al. Educação sexual e a importância de sua abordagem em ambiente escolar: prática pedagógica voltada a adolescentes de uma escola pública de ensino fundamental. Revista Metodologias e Aprendizado, v. 7, n. 1, p. 283–298, 2024.
Cavalcante, M. S. et al. A extensão universitária como prática formativa: reflexões sobre experiências em saúde. Revista Brasileira de Educação Médica, v. 44, n. 2, e041, 2020.
FORPROEX. Política Nacional de Extensão Universitária. Fórum de Pró-Reitores de Extensão das Universidades Públicas Brasileiras, 2012.
Gonçalves, R. C. et al. Educação sexual no contexto familiar e escolar: impasses e desafios. HOLOS, v. 5, n. 2, p. 253–262, 2013.
BRASIL. Ministério da Saúde. Proteger e Cuidar da Saúde de Adolescentes na Atenção Básica. Brasília: Ministério da Saúde, 2017.
Morais, J.C. et al. Sexual and reproductive health education in adolescence. Revista de Enfermagem da Universidade Federal do Piauí [Internet], Teresina, v. 9, n. 1, 29 nov. 2020.
Oliveira, A. C. S. et al. A extensão universitária como prática transformadora: contribuições para a formação em saúde. Revista Brasileira de Extensão Universitária, v. 12, n. 3, p. 159–169, 2021.
WORLD HEALTH ORGANIZATION – WHO. Sexual health, human rights and the law. Geneva: WHO, 2015.
PAN AMERICAN HEALTH ORGANIZATION – PAHO. Comprehensive sexuality education: knowledge file. Washington, DC: PAHO, 2018.
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