CAPACITAÇÃO DE ESTUDANTES DO CURSO TÉCNICO DE ENFERMAGEM ACERCA DOS CUIDADOS COM O COTO UMBILICAL: RELATO DE EXPERIÊNCIA DE UM GRADUANDO EM ENFERMAGEM
Palavras-chave:
Cordão umbilical, Educação em saúde, Promoção da saúde, Recém-nascido.Resumo
Contextualização:
Durante a gestação o feto é ligado à placenta através do cordão umbilical, por onde recebe os nutrientes necessários para o seu crescimento e desenvolvimento. Após o nascimento, essa estrutura é submetida ao processo de clampeamento e secção e o segmento que permanece no abdômen do recém-nascido passa a ser chamado coto umbilical (Linhares et al., 2019).
Posteriormente, o coto umbilical passa por um processo fisiológico de desidratação e mumificação, tornando-se seco, escurecido e endurecido por cessar o aporte sanguíneo, ocorrendo a necrose séptica e consequentemente a queda, o que ocorre normalmente entre 10 a 15 dias, permanecendo uma ferida até que se forme a cicatriz umbilical (Amaral; Prina; Sales, 2020).
Devido ao potencial surgimento de infecções durante o processo de desidratação e mumificação do coto e cicatrização da ferida umbilical, é essencial a adesão de uma técnica específica de cuidado dirigido a ambos mediante o uso de álcool etílico 70% como fator de proteção ao recém-nascido, contra onfalites (Silva et al., 2020).
No entanto, chama-se a atenção ao fato de que por ser o cuidado ao coto geralmente realizado no domicílio por pessoas que desconhecem a necessidade do procedimento correto, essa prática acaba sendo influenciada por saberes populares oriundos de memórias de cuidado seculares perpassadas de geração a geração, o que pode contribuir para a ocorrência de complicações graves que por certo comprometerão a saúde do recém-nascido (RN) (Linhares et al., 2019).
Nesse sentido, ressalta-se o trabalho desenvolvido pelo Projeto de extensão: “Programa Educativo: Saúde do Coto Umbilical”, implantado na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, desde 1998, o qual atua com ações contínuas de educação em saúde que atendem as gestantes, puérperas e cuidadores familiares, assim como a discentes de cursos técnicos e graduandos de enfermagem, profissionais de saúde e demais pessoas interessadas, além de realizar visitas domiciliares, quando necessário, para tratar infecções umbilicais causadas pelo uso de materiais deletérios.
O presente estudo tem como objetivo relatar experiência que visa desmistificar práticas populares prejudiciais ao coto umbilical junto a estudantes de curso técnico de enfermagem para promoção da saúde do recém-nascido. Sua relevância situa-se na perspectiva de se buscar revelar a valorização da educação em saúde como estratégia transformadora capaz de promover a qualificação das práticas de cuidado ao coto e consequentemente reduzir as complicações evitáveis, contribuindo com a integralidade da assistência ao RN e sua família.
Aspectos metodológicos da experiência:
Estudo descritivo, de natureza qualitativa, do tipo relato de experiência, construído a partir de uma oficina intitulada “O Cuidado com o Coto Umbilical e Banho do Recém-Nascido: Dialogando com Discentes do Curso Técnico de Enfermagem”, em abril de 2025.
Participaram 53 estudantes de uma escola técnica privada, localizada em um município do interior baiano. A referida oficina teve como objetivo gerar discussões dialogadas acerca dos conhecimentos científicos e saberes populares relacionados aos cuidados com o coto umbilical, a fim de que os participantes pudessem conhecer e identificar precocemente os sinais de onfalites, com vistas à prevenção de danos à saúde do recém-nascido.
Esse evento foi realizado em uma sala de aula da referida escola, tendo como facilitadores dois graduandos de Enfermagem, bolsistas do projeto de extensão “Programa Educativo: Saúde do Coto Umbilical”, da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia.
As atividades iniciaram com uma apresentação introdutória sobre o projeto de extensão, destacando seus objetivos, ações e finalidades. A orientação ocorreu de forma expositiva com o uso de recursos como uma banheira plástica com orifício para saída da água, manequim/boneca com coto umbilical confeccionado com garrote para simulação das práticas, gaze estéril, cotonetes, além de data show e slides de apoio .
Nesse momento, foi mostrado para os participantes o panorama histórico e cultural que envolvem as práticas ainda comuns no cuidado do coto umbilical, porém contra indicadas devido aos riscos que oferecem à saúde do RN. Foram esclarecidos sobre os possíveis danos oriundo de saberes populares, como o surgimento de onfalites e suas complicações e tétano neonatal e, demonstrado o método recomendado de cuidado ao coto umbilical, baseado na aplicação de álcool 70%, com técnica específica e cuidadosa, exemplificada no manequim/boneca (Linhares et al., 2019; Silva et al., 2020).
Em seguida, foram orientadas sobre a importância da imunização da gestante como método de prevenção do tétano neonatal, abordado ainda os diversos tipos de banhos do recém-nascido, enfatizando o banho por aspersão como o mais adequado (Amaral; Prina; Sales, 2020).
Refletindo com a experiência:
No contexto neonatal, práticas como o banho do recém-nascido e a limpeza do coto umbilical muitas vezes refletem conhecimentos populares. No entanto, quando os discentes da área da saúde são capacitados podem ampliar estes conhecimentos gerando uma prática mais segura.
A orientação adequada sobre a higienização do coto umbilical, combinada com o respeito às tradições culturais, fortalece a autonomia dos cuidadores, reduz o risco de complicações graves, como onfalites e o tétano neonatal, além de contribuir significativamente para a redução da morbimortalidade neonatal (Linhares et al., 2019).
A atividade possibilitou que os participantes associassem teoria e prática, reconhecendo o papel do técnico de enfermagem na orientação às famílias e na prevenção de complicações neonatais, como as onfalites em suas complicações (mionecrose, abscesso umbilical, fasceite necrotizante) e o tétano neonatal (Linhares et al., 2019; Silva et al., 2020). A experiência reforçou o valor das práticas educativas em saúde como componente formativo, capaz de qualificar o cuidado, aprimorar a atuação profissional e promover uma assistência mais crítica, sensível e voltada à realidade comunitária.
A vivência desse tipo de prática representa uma oportunidade enriquecedora para a formação acadêmica e profissional dos graduandos de enfermagem, ao possibilitar o desenvolvimento de competências educativas, comunicativas e reflexivas, fundamentais para o exercício ético e humanizado da enfermagem, ao ampliar as compreensões sobre o papel transformador da educação em saúde (Amaral; Prina; Sales, 2020).
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Referências
- DA SILVA, Núbia Ivo et al. Abordagem dos cuidados com o coto umbilical na atenção básica para prevenção da onfalite: relato de experiência. Brazilian Journal of health Review, Curitiba, v. 3, n. 5, p.12596-12601 set./out. 2020.
- DO AMARAL, Sara Lorena Pires; PRINA, Iago; SALES, Alessandra Santos. Intervenção Educativa em Saúde a Respeito do Tétano Neonatal e Coto Umbilical. Rev. Saúde.Com, 16(3): 1901– 1911, 2020;
- LINHARES, Eliane Fonseca et al. Popular Knowledge and Collective Memory of Care-giving Grandmothers Regarding the Umbilical Stump. International Journal of Development Research, v. 09, n. 06, pp.28061-28064, jun. 2019.
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