ENFERMAGEM EM TEMPOS DE CRISE CLIMÁTICA: DESAFIOS E ADAPTAÇÕES NO CUIDADO À SAÚDE
Palavras-chave:
Desastres ambientais, Enfermagem, Mudanças climáticas, Saúde ambientalResumo
Introdução: As mudanças climáticas têm imposto desafios cada vez maiores à saúde pública, afetando condições de vida e saúde das populações o que, por sua vez, contribui para o aumento da demanda de atendimento nos serviços de saúde. Os desastres ambientais agravam desigualdades sociais, aumentam a ocorrência de doenças infecciosas, respiratórias e de veiculação hídrica, além de potencializarem agravos psicológicos. Diante desse cenário, a Enfermagem assume um papel estratégico, atuando tanto na prevenção quanto no cuidado humanizado, sendo essencial na construção de respostas ágeis e sustentáveis diante das crises ambientais. Nesse sentido, compreender as interações entre ambiente, sociedade e saúde é importante para assegurar uma assistência qualificada e contribuir para a promoção da equidade. Objetivo: Refletir sobre os desafios enfrentados pela Enfermagem frente aos impactos das mudanças climáticas na saúde das comunidades, destacando suas contribuições na construção de estratégias sustentáveis. Método: Trata-se de uma revisão narrativa da literatura, com abordagem qualitativa. A busca foi realizada na Biblioteca Virtual em Saúde, Scientific Electronic Library Online/SciELO e Google Acadêmico, utilizando os descritores “Enfermagem”, “Mudanças Climáticas” e “Cuidados de Enfermagem” e a palavra-chave “Desastres Ambientais”. Foram incluídos artigos publicados na íntegra, entre 2019 e 2025, em língua portuguesa, e, após leitura exploratória e análise de pertinência temática, selecionou-se seis artigos para a construção deste estudo de revisão. Resultados: Os estudos apontaram que a crise climática contribui para o aumento de doenças transmissíveis e crônicas, agravando as condições de vida e saúde das populações vulneráveis, sendo a Enfermagem uma das profissões da área da saúde que exerce um papel fundamental nesse contexto, por atuar desde a assistência direta às pessoas afetadas até o desenvolvimento de ações educativas, vigilância epidemiológica e fortalecimento da resiliência comunitária. No entanto, os profissionais, especialmente os da enfermagem enfrentam desafios consideráveis como a falta de formação específica, ausência de protocolos direcionados e recursos limitados nos serviços de saúde. Ademais, foram identificadas boas práticas que evidenciam a capacidade de adaptação desses profissionais, como atualização de protocolos assistenciais, realização de rodas de conversa, vigilância popular e articulação com lideranças comunitárias, contribuindo para um cuidado mais humanizado e sustentável. Discussão: A Enfermagem em contextos de crise climática demanda preparo técnico, sensibilidade social e gestão eficiente de recursos. A sobreposição de vulnerabilidades sociais e ambientais exige estratégias de cuidado pautadas na escuta qualificada e na articulação intersetorial. A inclusão de conteúdos sobre saúde ambiental e mudanças climáticas na formação acadêmica e na educação permanente em Enfermagem é essencial. Ademais, o fortalecimento de práticas sustentáveis e a valorização de saberes ancestrais contribuem para um cuidado mais humanizado e eficaz por parte dos Enfermeiros. Conclusão: Destaca-se, portanto, que a crise climática é um desafio ético, social e ambiental para a Enfermagem. Reconhecendo seu papel estratégico, a categoria precisa estar preparada para atuar em emergências ambientais, adotando práticas sustentáveis, promovendo educação em saúde e fortalecendo políticas públicas que garantam assistência de qualidade e equidade. Assim, reafirma-se o compromisso da Enfermagem com a saúde planetária e com a proteção das gerações futuras.
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