Harmonização facial e seus impactos culturais: o apagamento de traços étnicos na busca por padrões de beleza globalizados

Autores

Palavras-chave:

Harmonização Facial, Traços Étnicos, Estética

Resumo

A harmonização facial é um conjunto de procedimentos estéticos que visa equilibrar as proporções do rosto, ajustando características como nariz, mandíbula e maçãs do rosto. Esse fenômeno se popularizou com a busca por padrões de beleza globalmente aceitos, frequentemente associados a características eurocêntricas. Ao priorizar esse ideal estético, a harmonização facial pode levar à padronização das feições, apagando traços étnicos e desconsiderando a diversidade cultural. Este estudo analisou os impactos sociais e culturais da harmonização facial, com foco no apagamento de traços étnicos. A pesquisa foi baseada em uma revisão da literatura nas bases SciELO e BVS, utilizando os descritores "harmonização facial" e "traços étnicos". O contexto cultural da modernidade, estimulado pela mídia, redes sociais e indústria estética, exalta a aparência física como reflexo de sucesso e autoestima. Santaella (2010) argumenta que o corpo funciona como sintoma da cultura, refletindo tensões entre identidade individual e pressões sociais por adequação aos padrões estéticos dominantes, demonstrando que modificações corporais expressam valores e hierarquias de cada contexto social. No Brasil, a busca por padrões de beleza globalizados afeta diversas faixas etárias e classes sociais. O culto ao corpo idealizado desconsidera particularidades étnicas, promovendo a padronização das feições e esvaziamento da identidade cultural. Ao buscar um padrão estético global, a harmonização apaga características faciais específicas, como formato do nariz e estrutura da mandíbula, limitando a apreciação das diversidades naturais. Bilibio e Costa (2024) enfatizam que esse processo reproduz ideais estéticos que privilegiam características caucasianas, promovendo negação de marcadores étnicos de populações não-brancas. Esse processo gera consequências psicológicas, como insatisfação corporal, e reforça um ideal de beleza que exclui identidades culturais distintas. A harmonização facial funciona como "média de beleza" que restringe a valorização das particularidades culturais e apaga distinções raciais. Como observa Santaella (2010), o corpo contemporâneo tornou-se objeto de intervenção constante, submetido a padrões que desconsideram sua dimensão cultural. Conclui-se que a harmonização facial deve ser repensada, buscando refletir uma concepção mais plural de beleza. A preservação dos traços étnicos únicos é essencial para uma estética genuína. Profissionais têm papel crucial na aplicação ética dessas técnicas, promovendo beleza que celebre a diversidade e resista à colonização estética.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Alexandre Silva Oliveira Alves, UESB

Graduando em Odontologia pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. E-mail: aalexandresilvaoliveiralaves35@gmail.com

 

Milena Fernandez Dias, UESB

Doutoranda em Saúde Coletiva pelo PPGES-UESB, mestre em Educação Física pela UnB e graduada pela Universidade Católica de Brasília. Possui especializações em Musculação, Treinamento de Força e Fisiologia do Exercício. Integra o NESP/UESB e o Grupo de Pesquisa “Saúde, Experiência, Cultura e Sociedade”, com foco em epidemiologia, atividade física e saúde.

Bruna Sena Lopes, UESB

Assistente Social. Mestranda pelo Programa de Pós-graduação em Enfermagem e Saúde. Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB). Email: brunasenalopes@outlook.com

Antônio Carlos Santos Silva Pinheiro, UESB

Nutricionista. Doutor em Ciências da Saúde. Docente do Departamento de Saúde II.  Coordenador do Programa de Extensão Aspectos Sociais e Condições de Saúde da População Negra/ ODEERE. Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB). E-mail: antonio.silva@uesb.edu.br

Referências

BILIBIO, Fernanda Guimarães; COSTA, Michell Charles de Souza. A padronização da harmonização facial e o apagamento de traços étnicos. Revista Científica REMAS, v. 3, n. 2, nov. 2024. p. 175-182. ISSN 2965-0917.

SANTAELLA, Lúcia. O corpo como sintoma da cultura. Ciência & Saúde Coletiva, v. 15, n. 1, p. 77-86, 2010. DOI: 10.1590/S1413-81232010000100009.

Downloads

Publicado

2026-07-23

Como Citar

ALVES, Alexandre Silva Oliveira; DIAS, Milena Fernandez; LOPES, Bruna Sena; PINHEIRO, Antônio Carlos Santos Silva. Harmonização facial e seus impactos culturais: o apagamento de traços étnicos na busca por padrões de beleza globalizados. Semana de Educação da Pertença Afro-Brasileira, [S. l.], v. 3, p. 253–254, 2026. Disponível em: https://anais2.uesb.br/index.php/sepab/article/view/5870. Acesso em: 26 jul. 2026.

Edição

Seção

Resumos - GT 01 - Etnicidade, Memória e Educação