Por um recorte étnico-racial da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) no Brasil: alta prevalência de fatores de risco a saúde em estudantes escolares negros

Autores

Palavras-chave:

Saúde do adolescente, Racismo Estrutural

Resumo

A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) é um instrumento de vigilância de fatores de risco e proteção do Ministério da Saúde, imprescindível para compreender os determinantes sociais e comportamentais que afetam a saúde dos adolescentes brasileiros (IBGE, 2022). O objetivo deste estudo foi descrever a prevalência de fatores de risco que acometem adolescentes escolares negros, com base na PeNSE. Trata-se de um estudo de base documental, realizado nos dados da última edição da PeNSE-2019. Os dados revelam que adolescentes negros, majoritariamente matriculados em escolas públicas, apresentam níveis mais baixos de atividade física, maior consumo de alimentos ultraprocessados, além de iniciação precoce no uso de álcool e drogas (IBGE, 2022). Somam-se a isso condições de insegurança no trajeto casa-escola, ausência às aulas por falta de segurança e maior exposição à violência urbana, caracterizando fatores de risco a saúde. Ademais, a PeNSE, evidencia que adolescentes negros das escolas públicas estão sujeitos a uma sobreposição de fatores de risco, tais como: sedentarismo, má alimentação, violência, consumo precoce de drogas e insegurança cotidiana, fatores que refletem não escolhas individuais, mas desigualdades estruturais. Segundo Santos et al. (2024), a adolescência para o jovem negro não pode ser reduzida a um momento peculiar do ciclo de vida, mas deve ser considerada uma fase de exposição ao estigma da raça e às iniquidades sentidas literalmente na pele. O racismo estrutural, portanto, funciona como um determinante social da saúde, limitando o acesso a espaços de lazer, educação de qualidade e políticas de proteção, além de gerar impactos psicossociais como estigmatização, sentimentos de inferioridade e vulnerabilidade. Crochemore-Silva et al. (2020) e Santos et al. (2024) apontam a necessidade de instituir políticas públicas contextualizadas socialmente, que possam combater as disparidades históricas e priorizar aqueles que mais necessitam, revertendo a lógica do racismo estrutural no campo da saúde. Conclui-se que as informações da PeNSE retratam como adolescentes negros das escolas públicas apresentam uma sobreposição de vulnerabilidades que só poderão ser enfrentadas com políticas intersetoriais de equidade e reparação racial.

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Biografia do Autor

Sidinei da Silva Araujo, Uesb- Jequie Ba

Mestrando em Educação Física (PROEF/UESB). Licenciado em Educação Física. Docente da Rede Estadual de Ensino da Bahia (SEC).

Gilmara Conceição da Silva Dórea, uesb

Mestranda em Educação Física. Pedagoga e Professora de Educação Física. Especialista em Educação Física Escolar e em Gestão com ênfase em coordenação pedagógica.

Suterlânio Novais Gonsalves , Uesb- Jequie Ba

Graduando do curso de Licenciatura em Educação Física. Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Membro do Centro de Estudos em Gestão Pública Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia

Raiza Pereira Muniz, Núcleo Territorial de Educação (NTE 22)

Licenciada em Educação Física pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB). Articuladora dos Jogos Escolares da Bahia (JEB-NTE 22).

Bruna Sena Lopes, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia

Assistente Social. Mestranda pelo Programa de Pós-graduação em Enfermagem e Saúde. Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB

Antônio Carlos Santos Silva Pinheiro, Uesb- Jequie Ba

Doutor em Ciências da Saúde. Docente do Mestrado Profissional em Educação Física. Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB)

Referências

CROCHEMORE-SILVA, I.; KNUTH, A.G.; MIELKE, G.I.; LOCH, M.R. Promoção de atividade física e as políticas públicas no combate às desigualdades: reflexões a partir da Lei dos Cuidados Inversos e Hipótese da Equidade Inversa. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 36, n. 6, e00155119, 2020.

IBGE. Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar: análise de indicadores comparáveis dos escolares do 9º ano do ensino fundamental – municípios das capitais: 2009/2019. Rio de Janeiro: IBGE, 2022.

SANTOS, I.N.; BLACK, T.L.P.; SILVA, K.V.; SANTOS, C.F.B.F. O racismo estrutural e seu impacto na saúde do adolescente afrodescendente brasileiro. Physis: Revista de Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 34, e34025, 2024.

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Publicado

2026-07-23

Como Citar

ARAUJO, Sidinei da Silva; DÓREA, Gilmara Conceição da Silva; GONSALVES , Suterlânio Novais; MUNIZ, Raiza Pereira; LOPES, Bruna Sena; PINHEIRO, Antônio Carlos Santos Silva. Por um recorte étnico-racial da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) no Brasil: alta prevalência de fatores de risco a saúde em estudantes escolares negros. Semana de Educação da Pertença Afro-Brasileira, [S. l.], v. 3, p. 286–287, 2026. Disponível em: https://anais2.uesb.br/index.php/sepab/article/view/5907. Acesso em: 26 jul. 2026.

Edição

Seção

Resumos - GT 01 - Etnicidade, Memória e Educação