Insegurança alimentar em comunidades ciganas: desigualdades socioculturais, estruturais e impacto na saúde

Autores

Palavras-chave:

Insegurança Alimentar, Povos ciganos, Saúde pública

Resumo

A insegurança alimentar em comunidades ciganas é um grave problema de saúde pública, resultado de desigualdades históricas, exclusão social e barreiras culturais. O objetivo deste estudo foi descrever as evidências científicas brasileiras que tratam dos fatores condicionantes à insegurança alimentar na população cigana/romani. Tratou-se de um estudo de revisão integrativa da literatura, realizada na base de dados da Biblioteca Virtual em Saúde, utilizando-se os descritores “ciganos”, “insegurança alimentar” e “saúde pública”. A insegurança alimentar é altamente prevalente, determinada por pobreza extrema, discriminação e exclusão social. No Brasil, comunidades como a de Rafael Fernandes dependem de doações e programas assistenciais, resultando em dietas pobres em frutas, vegetais e proteínas de qualidade, com elevado consumo de ultraprocessados (Mapa de conflitos, 2024). No Brasil, estudos indicam altos índices de insegurança alimentar, sendo caracterizada por instabilidade econômica, dependência de programas assistenciais, restrição ao acesso a alimentos, dietas pobres em nutrientes, elevado consumo de ultraprocessados e aumento do risco de obesidade e doenças crônicas não transmissíveis (Barbosa, 2024). Esse cenário contribui para desequilíbrios nutricionais e aumenta o risco de doenças crônicas, enquanto barreiras institucionais dificultam a utilização adequada dos serviços de saúde. A análise evidencia que a insegurança alimentar transcende a ausência de alimentos, refletindo desigualdades estruturais, estigmatização social e falhas nas políticas públicas. A estrutura social cigana, centrada na família extensa e na influência dos idosos, desempenha papel crucial na organização alimentar e percepção de saúde, devendo ser integrada nas intervenções. Estratégias intersetoriais e culturalmente sensíveis são essenciais para reduzir a vulnerabilidade alimentar e garantir o direito à alimentação adequada (Silva, 2015; Silva; Toyanski, 2018). Conclui-se que a insegurança alimentar na população cigana é expressão direta da desigualdade e do estigma sociocultural. Políticas públicas intersetoriais, que integrem saúde, cultura e a dinâmica familiar dos povos romani são fundamentais para promover equidade, reduzir a insegurança alimentar e fortalecer a saúde dessa comunidade.

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Biografia do Autor

Danyelle Pereira, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia

Estudante de odontologia na universidade estadual do sudoeste da Bahia.

Danilo Marques de Jesus

Estudante de odontologia na universidade estadual do sudoeste da Bahia.

Ana Luiza Moreno de Andrade

Estudante de odontologia na universidade estadual do sudoeste da Bahia.

Ana Gabriela Lima Vieira Costa

Estudante de odontologia na universidade estadual do sudoeste da Bahia.

Jhúlia Bomfim Oliveira

Graduanda em Enfermagem e Obstetrícia da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Diretora de Eventos da Atlética de Enfermagem da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Campus Jequié.

Nalanda Kelly Lopes Silva

Graduanda em Enfermagem e Obstetrícia pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB). Integrante da Liga Acadêmica Interdisciplinar em Saúde da Mulher (LAISM/UESB). Diretora de eventos da Associação Atlética Acadêmica de Enfermagem Carcará – Campus Jequié. Bolsista voluntária de Iniciação Científica no projeto Maternagem.

Matheus Henrique Oliveira Ferraz

Estudante de odontologia na universidade estadual do sudoeste da Bahia.

Suterlânio Novais Gonsalves

Estudante do curso de licenciatura de educação física  na universidade estadual do sudoeste da Bahia.

Bruna Sena Lopes

Assistente Social. Mestranda pelo Programa de Pós-graduação em Enfermagem e Saúde. Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia

Jeanne Butoyi

Enfermeira burundinesa. Mestranda pelo Programa de Pós-graduação em Enfermagem e Saúde. Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB).

Antônio Carlos Santos Silva Pinheiro

Nutricionista. Doutor em Ciências da Saúde. Docente do Departamento de Saúde II. Coordenador do Programa de Extensão Aspectos Sociais e Condições de Saúde da População Negra/ ODEERE. Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB).

Referências

ALMEIDA, M. G.; SILVA, T. M. G. V.; PEDROSA, J. I. S. Saúde de Povos Ciganos no Brasil: uma revisão integrativa. Anais do I Congresso Virtual de Gestão, Educação e Promoção da Saúde. Universidade Federal do Piauí, 2012.

BARBOSA, M. A. S. Estado nutricional de povos e comunidades tradicionais no Brasil: análise de registros do SISVAN, 2019–2023. Repositório UFU, 2024.

MAPA DE CONFLITOS. Fiocruz. Comunidade Vila dos Ciganos em Rafael Fernandes luta por direitos básicos. Fiocruz, 2024.

SILVA, A. A.; TOYANSKI, M. Saúde das comunidades ciganas no Brasil: contextos e políticas públicas. SESC-SP, 2018.

SILVA, M. O. Ciganos: fronteiras culturais e sistema de saúde. AMSK, 2015.

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Publicado

2026-07-23

Como Citar

PEREIRA, Danyelle et al. Insegurança alimentar em comunidades ciganas: desigualdades socioculturais, estruturais e impacto na saúde. Semana de Educação da Pertença Afro-Brasileira, [S. l.], v. 3, p. 263–264, 2026. Disponível em: https://anais2.uesb.br/index.php/sepab/article/view/5909. Acesso em: 26 jul. 2026.

Edição

Seção

Resumos - GT 01 - Etnicidade, Memória e Educação