Retomada ancestral e identitária através da Literatura Indígena Brasileira em Jequié-Ba

Autores

  • Elenilda Barbosa Mendes Kariri Sapuyá CIJ

Palavras-chave:

Escritoras indígenas, Resistência indígena, Literatura indígena brasileira

Resumo

O objetivo deste texto é enfatizar a importância da Literatura Indígena Brasileira como uma ferramenta de emancipação e conscientização, resultante na retomada ancestral e identitária dos povos indígenas da cidade de Jequié-Ba. Para isso apresento dois poemas escritos por mulheres indígenas que trabalho em minhas aulas de Literatura e Cultura Indígena Brasileira: "A força da minha flecha", de Márcia Kambeba e "Eu não tenho minha aldeia", de Eliana Potiguara, ambas tem uma narrativa literária atemporal, que ressalta a ancestralidade, fortalece a identidade étnica e esperançam por um futuro equitativo para os povos originários. Utilizo como aporte teóricos autores (as) como Graça Graúna (2013), Julie Dorrico (2019), Eliana Potiguara (2019), Márcia Kambeba (2020), Kaká Jecupé (2020), Ailton Krenak, entre outros, que discutem sobre a importância da escrita literária pelos próprios indígenas, pois a escrita é uma ferramenta para eternizar os saberes ancestrais que antes eram compartilhados apenas pela oralidade e muito se perdia quando um ancião se encantava, a literatura também é a expressão crítica das diversas violências sofridas por esse grupo étnico, com ênfase nas mulheres indígenas durante os mais 500 anos de História de formação do povo brasileiro. Durante as minhas aulas levo esses poemas para que os estudantes leiam e reflitam sobre as suas origens, sobre as suas identidades e ancestralidade indígena, logo eles começam a valorizar e buscar entender mais sobre as tradições que os seus avós e pais lhes ensinaram, entendem que a ancestralidade estar dentro de si independente de estar em uma aldeia, área rural ou no contexto urbano, eles compreendem a importância da luta pelo protagonismo da mulher indígena através dos poemas. Portanto, a Literatura Indígena Brasileira guarda as memórias, a ancestralidade, publiciza a busca pela legitimidade de ser indígena, a militância política, a luta pelos direitos à educação, à saúde, ao respeito pelas mulheres, ao direito de contar a própria história e o trabalho com a linguagem sem sofrer racismo e a intolerância religiosa, pois são Direitos Humanos básicos conforme os artigos 231º e 232º da Constituição Federal de 1988.

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Referências

DORRICO, Julie; DANNER, Fernando; DANNER, Leno Francisco (Orgs.) Literatura indígena brasileira contemporânea: criação, crítica e recepção. Porto Alegre: Editora Fi, 2018.________. Literatura indígena brasileira contemporânea: autoria, autonomia, ativismo.Porto Alegre, RS: Editora Fi, 2020.

GRAÚNA, Graça. Contrapontos da literatura indígena contemporânea no Brasil. Belo Horizonte: Mazza Edições, 2013.

JECUPÉ, Kaká Werá. A terra dos mil povos: história indígena do Brasil contata por um índio. 2 ed. São Paulo: Periropólis, 2020.

KAMBEBA, Márcia Wayna. Saberes da floresta. São Paulo: Jandaíra, 2020.

POTIGUARA, Eliane. Metade Cara, Metade Máscara. 3 ed. Rio de Janeiro: Grumin, 2019.

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Publicado

2026-07-23

Como Citar

SAPUYÁ, Elenilda Barbosa Mendes Kariri. Retomada ancestral e identitária através da Literatura Indígena Brasileira em Jequié-Ba. Semana de Educação da Pertença Afro-Brasileira, [S. l.], v. 3, p. 378–379, 2026. Disponível em: https://anais2.uesb.br/index.php/sepab/article/view/6002. Acesso em: 26 jul. 2026.

Edição

Seção

Resumos - GT 02 – Etnia, Gênero e Diversidade Sexual