Elas Sustentam o Campo: O protagonismo das mulheres na UNIAGRO, o braço forte do cooperativismo

Autores

Palavras-chave:

Cooperativismo, Protagonismo Feminino, Educação Popular

Resumo

O presente relato de experiência tem como objetivo discutir o protagonismo feminino na Cooperativa UNIAGRO, situada no município de Manoel Vitorino, no semiárido baiano, onde mulheres produtoras rurais de ovinos e caprinos assumem papel central na manutenção e inovação das práticas produtivas e sociais do cooperativismo. A experiência evidencia que, embora o discurso rural ainda reproduza papéis tradicionais de gênero (Scott, 1995), são as mulheres que garantem a continuidade, o cuidado e a circulação dos saberes no campo. Sua atuação ultrapassa o espaço doméstico, configurando-se como prática política e educativa, à medida que constroem redes de solidariedade e liderança no interior da cooperativa (hooks, 2019). A observação e o convívio com essas mulheres demonstram que o cooperativismo, quando atravessado por práticas femininas de partilha e cuidado, transforma-se em espaço de resistência e emancipação (Freire, 1987). A educação popular, nesse contexto, não se limita à alfabetização, mas se manifesta na transmissão de saberes produtivos e nas decisões coletivas que fortalecem a autonomia das trabalhadoras rurais. A UNIAGRO se consolida, assim, como território de formação e transformação, onde as experiências de vida se convertem em aprendizado e gestão coletiva, reafirmando a importância das mulheres como mediadoras culturais e econômicas. Inspirado nas perspectivas do feminismo interseccional (Crenshaw, 2002), o trabalho reconhece que as mulheres do campo enfrentam desafios múltiplos: a desigualdade de gênero, o preconceito contra o trabalho rural e as limitações impostas pela seca e pela pobreza estrutural do semiárido. Contudo, é por meio de suas práticas cotidianas que emergem alternativas de sustentabilidade e solidariedade, capazes de subverter a lógica excludente do agronegócio. Dando visibilidade às suas vozes e práticas, reafirma-se a necessidade de repensar o papel feminino na economia solidária e compreender o cooperativismo como espaço de resistência e de construção de uma ruralidade justa, inclusiva e humana (Silva, 2020).

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Biografia do Autor

Matheus da Silva Moraes, Universidade estadual do sudoeste da bahia

Licenciado em biologia pela UESB (2021), Bacharel em biologia pela UESB (2025), especialista em ensino de ciências e biologia (2023) pela Faculdade ProMinas. Atualmente é aluno concluínte do curso de Mestrado do programa de Pós-Graduação em Educação Cientifíca e Formação de Professores (UESB).

Referências

CRENSHAW, Kimberlé. Documento para o encontro de especialistas em aspectos da discriminação racial relativos ao gênero. Revista Estudos Feministas, v. 10, n. 1, p. 171-188, 2002. https://www.scielo.br/j/ref/a/. Acesso em: 08 out. 2025.

FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. 17. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.

hooks, bell. O feminismo é para todo mundo: políticas arrebatadoras. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos, 2019.

SCOTT, Joan. Gênero: uma categoria útil de análise histórica. Educação & Realidade, Porto Alegre, v. 20, n. 2, p. 71-99, jul./dez. 1995. https://www.seer.ufrgs.br/educacaoerealidade/article/view/71721. Acesso em: 09 out. 2025.

SILVA, Maria das Dores. Mulheres do campo e economia solidária: desafios e resistências no semiárido nordestino. Revista Brasileira de Educação do Campo, v. 5, n. 2, p. 89-104, 2020. Disponível em: https://periodicos.ufv.br/rbec/article/view/11280. Acesso em: 09 out. 2025.

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Publicado

2026-07-23

Como Citar

LAGO, Sabrina Alves; MORAES, Matheus da Silva. Elas Sustentam o Campo: O protagonismo das mulheres na UNIAGRO, o braço forte do cooperativismo. Semana de Educação da Pertença Afro-Brasileira, [S. l.], v. 3, p. 384–385, 2026. Disponível em: https://anais2.uesb.br/index.php/sepab/article/view/6016. Acesso em: 26 jul. 2026.

Edição

Seção

Resumos - GT 02 – Etnia, Gênero e Diversidade Sexual