Vozes insurgentes: narrativas docentes de resistência de uma professora negra e um professor gay

Autores

Palavras-chave:

Educação antirracista, Formação docente, Práticas pedagógicas

Resumo

Este trabalho emerge de diálogos cotidianos entre um professor gay e uma professora negra. Como afirma hooks, “a experiência é uma fonte legítima de conhecimento” (hooks, 2017, p. 49. Ao partilhar vivências atravessadas por marcadores sociais de diferença, os docentes transformam experiências de dor, enfrentamento e resistência em potência política e pedagógica. Para Freire, “ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens se educam em comunhão” (Freire, 1996, p. 68), o que evidencia a importância dos espaços coletivos — como a sala dos professores — como territórios de elaboração crítica e insurgência cotidiana. A escola, entendida como espaço de disputa simbólica e política, reflete e reproduz desigualdades estruturais (Foucault, 1999). Segundo Akotirene, o racismo e o sexismo atuam de maneira interdependente e estrutural, produzindo “subalternizações específicas sobre corpos racializados e femininos” (Akotirene, 2019, p. 34). A narrativa é construída a partir de memórias pessoais e profissionais compartilhadas em conversas informais na escola. Como explica Louro, “a escola é um território de disputas e também de produção de subjetividades” (Louro, 2000, p. 67). Essas vozes insurgentes, ao ecoarem na sala dos professores, tensionam normas hegemônicas e constroem formas coletivas de resistência. Segundo Butler, “o poder não apenas reprime, mas também produz possibilidades de resistência” (Butler, 2003, p. 15), o que permite compreender essas narrativas não apenas como denúncia, mas também como afirmação de existências que desafiam as estruturas dominantes. A análise apoia-se na compreensão de que narrativas não são apenas testemunhos, mas também práticas políticas e pedagógicas (hooks, 2017). O corpus empírico é composto por diálogos e memórias compartilhadas, entendidos como atos de fala que produzem sentidos e estratégias de resistência (Foucault, 1999). Como sintetiza hooks, “falar a partir da margem é um ato de resistência” (hooks, 2017, p. 55). Ao narrar suas experiências, o professor gay e a professora negra constroem práticas pedagógicas antirracistas e anti-LGBTQIA+fóbicas, reconhecendo a pluralidade de corpos e saberes. Como reforça Freire, “a educação é um ato de amor e, por isso, um ato de coragem” (Freire, 1996, p. 36). Assim, suas vozes insurgentes produzem fissuras no silêncio institucional e afirmam a potência política da docência.

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Biografia do Autor

Matheus da Silva Moraes, Universidade estadual do sudoeste da bahia

Licenciado em Biologia pela UESB (2021), Bacharel em Biologia pela UESB (2025), Especialista no ensino de Ciências e Biologia pela Faculdade ProMinas (2023), atualmente é concluínte do curso de Mestrado no Programa de Pós-Graduação em Educação Científica e Formação de Professores - UESB.

Referências

AKOTIRENE, C. Interseccionalidade. São Paulo: Pólen, 2019.

BUTLER, J. Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003.

FOUCAULT, M. A ordem do discurso. São Paulo: Loyola, 1999.

FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

HOOKS, b. Ensinando a transgredir: a educação como prática da liberdade. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2017.

LOURO, G. L. O corpo educado: pedagogias da sexualidade. Belo Horizonte: Autêntica, 2000.

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Publicado

2026-07-23

Como Citar

REIS, Mirella Ferreira; MORAES, Matheus da Silva. Vozes insurgentes: narrativas docentes de resistência de uma professora negra e um professor gay. Semana de Educação da Pertença Afro-Brasileira, [S. l.], v. 3, p. 386–387, 2026. Disponível em: https://anais2.uesb.br/index.php/sepab/article/view/6017. Acesso em: 26 jul. 2026.

Edição

Seção

Resumos - GT 02 – Etnia, Gênero e Diversidade Sexual