Instituições de acolhimento e o corpo feminino: gênero e práticas de controle

Autores

Palavras-chave:

Infância, Instituições de acolhimento, Biopoder

Resumo

Este artigo realiza uma análise histórica e teórica das instituições de acolhimento no Brasil, destacando os modos como se articularam práticas de controle social e disciplinamento dos corpos femininos. Fundamentado em revisão bibliográfica crítica, o estudo dialoga com autores clássicos, como Ariès, Foucault e Beauvoir, e com contribuições contemporâneas de Marcílio, Rizzini, Louro, Felipe e Goellner, além de pesquisas recentes que ampliam a compreensão do tema. Argumenta-se que, embora legitimadas como espaços de proteção, tais instituições operaram como mecanismos de vigilância e regulação, negando a infância como categoria social autônoma e reforçando padrões de gênero excludentes. Meninas foram submetidas a processos de docilização e moralização, destinadas a funções domésticas e ao cumprimento de normas rígidas, enquanto meninos eram preparados para atividades produtivas e socialmente valorizadas. Essa lógica revela a profunda relação entre poder, gênero e infância, evidenciando o corpo como lócus de controle, mas também de resistências sutis. A análise demonstra que os abrigos se constituíram como territórios ambíguos, nos quais acolhimento e disciplina se entrecruzavam. Nesse sentido, o estudo contribui para refletir criticamente sobre as políticas contemporâneas de acolhimento, enfatizando a necessidade de práticas que reconheçam singularidades, assegurem direitos e favoreçam a construção de sujeitos autônomos e emancipados.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Elane Lima de Miranda , Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia/UESB

Graduada em pedagogia pela Universidade Federal do Recôncavo da Bahia. Mestre em Relações Étnicas e Contemporaneidade pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Estudante de Especialização em Gênero e Sexualidade na Educação, Instituto de Humanidades Artes e Ciências na Universidade Federal da Bahia – UFBA. Membro do grupo de pesquisa Rede de Pesquisa Representações, Discursos e Violência na Escola - olhar, pensar e agir sobre a formação de valores, atitudes e permanência do aluno na sala de aula.

Luzia Wilma Santana da Silva , Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia/UESB

Luzia Wilma Santana da Silva - Enfermeira, RN, BSN, MPH, Ph.D. Professora Pleno  do Departamento de Saúde II, da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia/UESB, campus de Jequié. Pesquisadora - Líder do Grupo Interdisciplinar de Estudos em Ciências da Saúde e Sociedade. Linhas de pesquisa: Família em seu ciclo vital e Interdisciplinar saberes em ciências da saúde e sociedade. Coordenadora do Programa Núcleo Interdisciplinar de Estudos e Extensão em Cuidados à Saúde da Família em Convibilidade com Doenças Crônicas - NIEFAM. 

Referências

ARIÈS, P. História social da criança e da família. Tradução de: FLOKSMAN, D. 2. ed. Rio de Janeiro: LTC, 1973.

BEAUVOIR. S. O segundo Sexo: A experiência vivida. Tradução de: MILLIET. S. 2 ed. São Paulo. Difusão europeia de livros 1967.

BUTLER, Judith P. Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade. 21. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2021.

BRASIL. Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (CONANDA). Resolução nº 109/2006. Brasília, 2006.

FOUCAULT, M. Vigiar e Punir: Nascimento das Prisão. Tradução de: RAMALHETE, R. 23 ed. Petrópolis: Vozes, 1987.

FOUCAULT, Michel. História da sexualidade. Rio de Janeiro: Graal, 1998.

GOMES, C. R. Acolhimento institucional: desafios e práticas educativas na proteção de crianças e adolescentes. Revista Brasileira de Serviço Social, v. 72, n. 2, 2017.

LOURO. L. G; FELIPE. J; GOLLNER. V. S. A produção cultural do corpo.In:_______. (org.). Corpo, Gênero e Sexualidade: um debate contemporâneo na educação. 9 ed. Petrópolis, RJ: Vozes 2013.

MARCÍLIO, L, M. História social da Criança Abandonada. 3 ed. São Paulo: Hucitec, 1998. MARIANO, M. S. A. O sujeito do feminismo e o pós-estruturalismo. Estudos Feministas, Florianópolis, v.13, n. 3, p. 483-505, set. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ref/a/8mFpyJkkjRyMxnsqxQBZ95z/?lang=pt#

MOURÃO, L.; ARAÚJO, F. Infância e proteção social: historicidade e perspectivas contemporâneas. Revista Serviço Social & Sociedade, n. 138, 2020.

OLIVEIRA, A. S. Ser criança em Instituição De Acolhimento. Dissertação (Mestrado em Psicologia) – Universidade Estadual de Maringá, Paraná, 2018. Disponível em: https://sucupira.capes.gov.br/sucupira/public/consultas/coleta/trabalhoConclusao/vie wTrabalhoConclusao.jsf?popup=true&id_trabalho=7579396.

RIZZINI, I. A institucionalização de crianças no Brasil: percurso histórico e desafios do presente. Rio de Janeiro: PUC-Rio; São Paulo: Loyola, 2004. Disponível em: http://www.editora.pucrio.br/media/ebook_institucionalizacao_de_criancas_no_brasil.pdf

SILVA, M. C.; SOUZA, L. R. Crianças e adolescentes em abrigos: gênero, cuidado e disciplina. Revista Estudos Feministas, v. 28, n. 3, 2020.

Downloads

Publicado

2026-07-23

Como Citar

MIRANDA , Elane Lima de; SILVA , Luzia Wilma Santana da. Instituições de acolhimento e o corpo feminino: gênero e práticas de controle. Semana de Educação da Pertença Afro-Brasileira, [S. l.], v. 3, p. 298–304, 2026. Disponível em: https://anais2.uesb.br/index.php/sepab/article/view/6031. Acesso em: 26 jul. 2026.

Edição

Seção

Trabalhos completos - GT 02 – Etnia, Gênero e Diversidade Sexual