O Museu Henriqueta Prates e a reconstrução das narrativas históricas de Vitória da Conquista

Autores

  • Anderson Macena de Souza
  • Isaac Dias Martins do Carmo UESB/Mestrando
  • Antonio Marcos de Sousa Amorim Filho Uesb - Graduando em História
  • Anita Mazzei Costa Uesb - Graduando em História

Palavras-chave:

Museu Regional, Patrimônio Cultural, Identidade

Resumo

O presente trabalho integra as discussões e vivências do processo de elaboração de projetos extensionistas do Museu Regional – Casa Henriqueta Prates, localizado em Vitória da Conquista (BA), com o objetivo de fomentar a troca cultural e reafirmar o museu como espaço de preservação de histórias, memórias e experiências. Recebendo cerca de quatro mil visitantes por ano, entre escolas, projetos sociais, Cras e universidades, o museu desempenha papel essencial na compreensão da história regional, especialmente no que tange às populações afro-brasileiras e indígenas.

Por muito tempo, Vitória da Conquista esteve imersa no fascínio pela modernidade, e progresso resultou na invisibilização de memórias e experiências que não se ajustavam a esse ideal, em especial a indígena. Povos como Ymborés, Mongoió e Pataxó foram retratados apenas como coadjuvantes nas narrativas históricas, reforçando a centralidade dos colonizadores (Miguel, 2000). Nesse contexto, o Museu, faz referencia a uma mulher negra reconhecida por sua voz e protagonismo, atua como instituição comprometida com a preservação da memória e do patrimônio histórico de Vitória da Conquista e região.

O museu assume a função de zelar por uma memória social plural, que reconhece as múltiplas vozes que compõem a história local. Se contrapõe à tradição historiográfica positivista e evolucionista, tornando-se um território de disputas simbólicas e reconstruções de sentido. As práticas desenvolvidas no espaço preservam tradições e identidades, funcionando como instrumentos de resistência cultural.

O museu, tem na sua trajetória, através das visitas guiadas propor-se como espaço de construção ativa da memória coletiva, transformando o patrimônio cultural em elemento vivo de pertencimento. Para Silva (1992), a patrimonialização confere valor simbólico e coletivo aos objetos; e, segundo Halbwachs (1990), a memória é construída socialmente, sendo selecionada e mantida por grupos coesos.

Assim, o Museu atua como mediador entre memórias individuais e coletivas, reunindo objetos, narrativas e experiências que compõem a história social de Vitória da Conquista. Mais que guardião do passado, consolida-se como agente ativo na construção das memórias sociais, permitindo que povos indígenas e afrodescendentes reivindiquem o direito à memória e reconstruam suas narrativas. O museu afirma-se, portanto, como território vivo de pertencimento, diálogo e reconhecimento.

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Referências

MIGUEL, Antonieta. Sertão da Ressaca: território do conflito in: Ymboré, Pataxó e Kamakã: A presença indígena no Planalto da Conquista. Org. Aguiar, Ednalva Padre. Museu Regional, 2002.

SILVA. Olga Brites da. Memória, preservação e tradições populares. In: Direito à Memória. São Paulo. Departamento do Patrimônio Histórico, 1992.

PAOLI. Maria Celia. Memória, história e cidadania: o direito ao passado. In: Direito à Memória. São Paulo. Departamento do Patrimônio Histórico, 1992.

HALBWACHS, Maurice. A memória coletiva. São Paulo: Vértice, 1990.

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Publicado

2026-07-23

Como Citar

SOUZA, Anderson Macena de; CARMO, Isaac Dias Martins do; AMORIM FILHO, Antonio Marcos de Sousa; COSTA, Anita Mazzei. O Museu Henriqueta Prates e a reconstrução das narrativas históricas de Vitória da Conquista. Semana de Educação da Pertença Afro-Brasileira, [S. l.], v. 3, p. 251–252, 2026. Disponível em: https://anais2.uesb.br/index.php/sepab/article/view/6050. Acesso em: 26 jul. 2026.

Edição

Seção

Resumos - GT 01 - Etnicidade, Memória e Educação