A deslegitimação do conhecimento espiritual e dos saberes afro-brasileiros no campo do cuidado a saúde no Brasil

Autores

Palavras-chave:

Atenção básica, Espiritualidade, População negra

Resumo

A população negra no Brasil enfrenta desigualdades históricas que atravessam o campo do cuidado a saúde. Mesmo após a consolidação do Sistema Único de Saúde (SUS) e a criação de políticas de equidade, apresenta-se injusto e desigual. O objetivo deste estudo foi descrever a integração dos saberes afro-brasileiros na Atenção Básica à Saúde no Brasil. Trata-se de um estudo de revisão integrativa da literatura, realizada na base de dados Google Acadêmico, utilizando-se os descritores “Atenção Básica”, “espiritualidade”, “população negra” e “enfermagem”. A Política Nacional de Saúde Integral da População Negra, criada em 2009, fruto de luta dos movimentos negros, constitui-se como política de reparação racial ao cuidado em saúde para atender as necessidades específicas da população negra brasileira. Entretanto, a Atenção Básica, ainda reproduz práticas eurocentradas, pouco sensíveis às identidades e saberes afro-brasileiros. Nos territórios, os corpos negros seguem mais expostos à desassistência, à violência simbólica e ao silenciamento de suas espiritualidades, o que evidencia a permanência do racismo institucional no cotidiano do cuidado (Silva; Lima, 2020). A Atenção Básica constitui um espaço educativo e de construção de vínculos, onde a promoção da saúde se relaciona diretamente com a formação cidadã e identitária. No entanto, práticas e saberes tradicionais de matriz africana, como o uso de ervas, rezas, banhos e rituais de proteção ainda são marginalizados, tratados como “não científicos” e, portanto, deslegitimados pelos serviços. Essa exclusão representa uma forma de violência epistêmica que afasta os usuários de suas referências culturais e compromete a integralidade do cuidado (Pimenta; Trajano, 2018). Valorizar esses saberes significa reconhecer a ancestralidade como parte do processo educativo em saúde e como instrumento de resistência e autonomia comunitária. A assistência da enfermagem, por sua inserção direta nas comunidades, compromisso ético com a escuta e o acolhimento, ocupa papel estratégico nessa transformação, na medida em que, ao reconhecer a ancestralidade como dimensão legítima do cuidado, pode mediar os saberes científico e tradicionais, contribuindo para práticas mais humanas, participativas e decoloniais (Silva, 2021). Assim, torna-se imperativo adotar um cuidado decolonial, amparado no território de reconstrução identitária e de valorização da memória afro-brasileira, onde saúde, cultura e pertencimento devem se entrelaçar na construção de um SUS mais equânime, com justiça social e racial.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Nalanda Kelly Lopes Silva, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia

Graduanda em Enfermagem e Obstetrícia pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB). Integrante da Liga Acadêmica Interdisciplinar em Saúde da Mulher (LAISM/UESB). Diretora de eventos da Associação Atlética Acadêmica de Enfermagem Carcará – Campus Jequié. Bolsista voluntária de Iniciação Científica no projeto Maternagem.

Jhúlia Bomfim Oliveira, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia

Graduanda em Enfermagem e Obstetrícia da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Diretora de Eventos da Atlética de Enfermagem da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Campus Jequié.

Daiana Lima Souza

Graduanda em Enfermagem e Obstetrícia da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia.

Larissa Meira Gomes, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia

Graduanda em Enfermagem e Obstetrícia da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia.

Nathália Matos Cerqueira Pereira, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia

Graduanda em Enfermagem e Obstetrícia da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia.

Sara Pereira Mota, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia

Graduanda em Enfermagem e Obstetrícia da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia.

Yasmin Constança Gois Camilo Cezar, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia

Graduanda em Enfermagem e Obstetrícia da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia.

Antonio Carlos Santos Silva Pinheiro, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia

Nutricionista. Doutor em Ciências da Saúde. Docente do Departamento de Saúde II. Coordenador do Programa de Extensão Aspectos Sociais e Condições de Saúde da População Negra/ ODEERE.

Referências

PIMENTA, Maria; TRAJANO, Flávia. Cuidado e espiritualidade: saberes ancestrais na saúde. Rev. Saúde & Sociedade, v. 27, n. 4, p.1152-1161, 2018.

SILVA, Vanessa. Enfermagem e ancestralidade: diálogos possíveis na atenção primária. Rev. Enfermagem em Debate, v. 45, n. 2, p. 85-95, 2021.

SILVA, Luciana; LIMA, Davi. Racismo institucional e práticas de saúde no Brasil. Cadernos de Saúde Pública, v. 36, n. 8, p. e00182019, 2020.

Downloads

Publicado

2026-07-23

Como Citar

SILVA, Nalanda Kelly Lopes; OLIVEIRA, Jhúlia Bomfim; SOUZA, Daiana Lima; GOMES, Larissa Meira; PEREIRA, Nathália Matos Cerqueira; MOTA, Sara Pereira; CEZAR, Yasmin Constança Gois Camilo; PINHEIRO, Antonio Carlos Santos Silva. A deslegitimação do conhecimento espiritual e dos saberes afro-brasileiros no campo do cuidado a saúde no Brasil. Semana de Educação da Pertença Afro-Brasileira, [S. l.], v. 3, p. 278–279, 2026. Disponível em: https://anais2.uesb.br/index.php/sepab/article/view/6068. Acesso em: 26 jul. 2026.

Edição

Seção

Resumos - GT 01 - Etnicidade, Memória e Educação