Narrativa de pertencimento étnico: memórias e lutas de uma mulher indígena do Assentamento Santa Irene - Gongogi/Ba

Autores

Palavras-chave:

Oralidade, memória, pertencimento étnico

Resumo

Este trabalho tem como objetivo construir a biografia de uma mulher autodeclarada indígena da etnia Tupinambá, descendente do povo de Olivença e moradora do Assentamento Santa Irene em Gongogi/BA, e tem como foco a oralidade como forma de reexistência, memória e transmissão de saberes tradicionais, que para os povos indígenas é identidade e resistência. Busca compreender como saberes e memórias transmitidos por essa mulher sustentam os simbolismos de pertencimento étnico, mesmo fora de aldeias e sem reconhecimento institucional. A pesquisa se fundamenta em Arruti (2014), ao tratar a etnicidade como sentimento de pertença e partilha simbólica; Godoi (2014), ao ampliar territorialidade além dos limites físicos; e as autoras Soares (2022) e Pachamama (2020), que abordam o papel das mulheres indígenas na preservação de saberes, as violências e o "Ser Indígena". A metodologia é qualitativa, com entrevista semiestruturada (Prodanov e Freitas, 2013), respeitando o tempo da colaboradora, chamada aqui de Vitória Régia; e em Gil (2008) com a apreensão das interpretações da realidade pelo sujeito pesquisado. Dados parciais apontam que práticas como o uso de plantas, a produção de sabonetes naturais e o cuidado com a família, são centrais na identidade da entrevistada, embora não viva em aldeia indígena, e não tenha fluência na língua materna de sua mãe, Vitória Régia mantém práticas herdadas e memórias que reforçam sua identidade. A vivência no assentamento se apresenta como reexistência, onde a identidade indígena se reafirma cotidianamente. Este estudo busca dar visibilidade a histórias de mulheres indígenas não aldeadas e refletir sobre a oralidade como ferramenta de reconstrução da ancestralidade e afirmação identitária frente a tentativa do apagamento colonial.

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Referências

ARRUTI, José Maurício. "Etnicidade". In: SANSONE, Livio; FURTADO, Cláudio Alves (Orgs.). Dicionário crítico das ciências sociais dos países de fala oficial portuguesa. Salvador: EDUFBA, 2014. https://repositorio.ufba.br/handle/ri/14647.

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GODOI, Emília Pietrafesa de. “Territorialidade”. In: SANSONE, Livio; FURTADO, Cláudio Alves (Orgs.). Dicionário crítico das ciências sociais dos países de fala oficial portuguesa. Salvador: EDUFBA, 2014. https://repositorio.ufba.br/handle/ri/14647.

PACHAMAMA, Aline Rochedo. Guerreiras: (m’baima miliguapy): mulheres indígenas na cidade. Mulheres indígenas na aldeia. 2ª edição. Rio de Janeiro: Pachamama, 2020.

PRODANOV, Cleber Cristiano; FREITAS, Ernani Cesar de. Metodologia do trabalho científico: métodos e técnicas da pesquisa e do trabalho acadêmico. Freitas. – 2. ed. Novo Hamburgo: Feevale, 2013.

SOARES, Ana Manoela Primo dos Santos. A autoria coletiva e a autoetnografia: experiências em antropologia com as parentas Karipuna do Amapá. Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Ciências Humanas, v. 17, n. 2, p. e20210026, 2022.

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Publicado

2026-07-23

Como Citar

TEIXEIRA, Andreila Alcântara; LOPES, Dailza Araújo. Narrativa de pertencimento étnico: memórias e lutas de uma mulher indígena do Assentamento Santa Irene - Gongogi/Ba. Semana de Educação da Pertença Afro-Brasileira, [S. l.], v. 3, p. 257–258, 2026. Disponível em: https://anais2.uesb.br/index.php/sepab/article/view/6075. Acesso em: 26 jul. 2026.

Edição

Seção

Resumos - GT 01 - Etnicidade, Memória e Educação