NUDELQI, a infância e o levante dos saberes: uma travessia ludoétnica pela decolonização epistêmica
Palavras-chave:
Educação Decolonial; Infância; Ancestralidade.Resumo
O Núcleo de Diálogos Educacionais Ludoétnicos Quilombolas e Indígenas (NUDELQI) emerge como uma práxis coletiva autônoma, dedicada à instauração de uma pedagogia decolonial, antirracista e interseccional, ancorada nas epistemologias afro-indígenas e populares. Instituído em 2021 a partir da diáspora intelectual de pesquisadoras negras, o núcleo responde à urgência de romper com os limites canônicos da academia, transfigurando o espaço de produção de conhecimento em um território de escuta ancestral, criação e reparação histórica. Esta atuação se inscreve na crítica contundente ao epistemicídio (Santos, 2006) e à colonialidade que perpassa os currículos (Munanga, 2015), pleiteando o reconhecimento dos saberes não-ocidentais como fundamentos legítimos para a educação.
O horizonte central do NUDELQI repousa na afirmação das infâncias negras e indígenas como sujeitos epistêmicos e políticos, e na ancestralidade como arcabouço metodológico. A práxis se organiza em cinco eixos estruturantes — Formação e Educação Decolonial; Editora NUDELQI; Comunicação, Mídias e Página Virtual; Pesquisa-Ação e Memória Ancestral; e Consultoria Educacional e Projetos Especiais — que articulam o enfrentamento à negação do saber e a implementação crítica das Leis 10.639/03 e 11.645/08. A metodologia empregada é a etnografia de base decolonial, uma prática de co-criação e escuta implicada que desestabiliza a dicotomia pesquisador/pesquisado, reconhecendo a infância, o afeto e o território como fontes geradoras de conhecimento.
Os desdobramentos dessa atuação se materializam na criação da Editora NUDELQI, responsável por obras infantojuvenis como Na mata de Babá mora uma caipora, Produções Literárias Ludoétnicas Quilombolas e A Moqueca das Marias, na circulação da revista infantil Moquequinha, e na publicação do Jornal Travessias Quilombolas, promovendo a devolutiva e a valorização das narrativas comunitárias. A inserção da disciplina “Educação Ludoétnica Quilombola” no currículo de Pós-Graduação da UESB e a presença em periódicos científicos de alcance nacional atestam a relevância da proposta metodológica. O NUDELQI reafirma, por fim, que a descolonização do conhecimento é um ato político-afetivo que reconstrói a universidade a partir da oralidade, do tambor e da memória ancestral, propondo um novo paradigma onde o currículo é tecido no chão do território e na radicalidade do afeto.
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Referências
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