SISLUQUI – Sistema Ludoétnico Quilombola: uma prática pedagógica decolonial e insurgente nas infâncias quilombolas do Monte Recôncavo

Autores

Palavras-chave:

Decolonialidade, Educação Quilombola, Ludoetnicidade

Resumo

O presente artigo apresenta o Sistema Ludoétnico Quilombola (SISLUQUI) como uma proposta pedagógica de base decolonial e antirracista, desenvolvida na Escola Municipal Duque de Caxias, localizada na Comunidade Quilombola do Monte Recôncavo, em São Francisco do Conde (BA), com estudantes do 4º ano do Ensino Fundamental. O projeto integra as ações do Núcleo de Diálogos Educacionais, Ludoétnicos, Quilombolas e Indígenas (NUDELQI) e propõe a valorização da cultura, dos saberes locais e da ludoetnicidade como ferramentas de emancipação. Fundamentado em perspectivas teóricas afrocentradas e decoloniais, o SISLUQUI promove práticas pedagógicas que reconhecem a ancestralidade como eixo epistemológico e formativo. A metodologia adotada é a pesquisa-ação de caráter etnográfico, com oficinas que geraram produções simbólicas e coletivas, como o Sistema de Numeração Quilombola (SISNUQUI) e o Sistema Monetário Quilombola do Monte Recôncavo (SISMONQUI). Os resultados apontam para a afirmação identitária das infâncias quilombolas e a efetivação das Leis 10.639/03 e 11.645/08, ao mesmo tempo em que revelam o brincar como prática de resistência e reinvenção do currículo escolar.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Emily Alves Cruz Moy

Emily Alves Cruz Moy é mestra em Relações Étnicas e Contemporaneidade (2016) pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB). É especialista em Antropologia com ênfase em Culturas Afro-Brasileiras (2014), e especialista em formação em Gestão Escolar (2025), Gestão Pública Municipal (2024). Graduada em Administração (2012) pela Faculdade Integrada Euclides Fernandes e graduanda em Pedagogia (2024) pelo Centro Universitário Estácio.

 

Atua como servidora efetiva da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Desenvolve pesquisas nas áreas de relações étnico-raciais, educação, memória e identidade cultural, com foco em comunidades originárias, quilombolas e saberes ancestrais. É integrante dos grupos GEPREEG – Grupo de Estudos em Pedagogias, Racialidades, Educação, Etnicidades e Gênero e NUDELQI – Núcleo de Diálogos, Ludoétnicos, Quilombolas e Indígenas.

Reside e atua em Jequié, Bahia, Brasil.

Referências

ANGROSINO, Michael. Etnografia e observação participante. Porto Alegre: Artmed, 2009.

ARRUTI, José Maurício. Etnicidade e cultura: um ensaio sobre as fronteiras étnicas. Revista Brasileira de Ciências Sociais, v. 21, n. 60, p. 49–68, 2006. https://doi.org/10.1590/S0102-69092006000100004

ARRUTI, José Maurício. Etnicidades. Revista Brasileira de Ciências Sociais, v. 21, 2006. https://doi.org/10.1590/S0102-69092006000100003

ARRUTI, José Maurício. Mocambo: antropologia e história do processo de formação quilombola. Bauru: Edusc, 2006.

BARTH, Fredrik. Grupos étnicos e suas fronteiras. 3. ed. São Paulo: Vozes, 2011.

BRASIL. Lei nº 10.639, de 9 de janeiro de 2003. Dispõe sobre a inclusão, no currículo oficial da rede de ensino, da história e cultura afro-brasileira. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 10 jan. 2003.

BRASIL. Lei nº 11.645, de 10 de março de 2008. Altera a Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, para incluir no currículo oficial da educação básica a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena”. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 11 mar. 2008.

GOMES, Nilma Lino. Educação e identidade negra. 2. ed. Petrópolis: Vozes, 2017.

GOMES, Nilma Lino. Educação e relações étnico-raciais: reflexões e práticas. Belo Horizonte: Autêntica, 2021.

GOMES, Nilma Lino. O movimento negro educador: saberes construídos nas lutas por emancipação. Petrópolis: Vozes, 2019.

HOOKS, bell. Ensinando a transgredir: a educação como prática da liberdade. Tradução de Marcelo Brandão Cipolla. São Paulo: Martins Fontes, 2017.

LUCKESI, Cipriano Carlos. Brincadeiras, jogos e ludicidade. Curitiba: CRV, 2018.

MINAYO, Maria Cecília de Souza (org.). Pesquisa social: teoria, método e criatividade. 18. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2001.

SANTOS, Boaventura de Sousa. A gramática do tempo: para uma nova cultura política. 3. ed. São Paulo: Cortez, 2010.

SANTOS, Boaventura de Sousa. Epistemologias do Sul. Coimbra: Almedina, 2010.

SANTOS, Boaventura de Sousa. O fim do império cognitivo: a afirmação das epistemologias do Sul. Coimbra: Edições Almedina, 2018.

SANTOS, Boaventura de Sousa. Para além do pensamento abissal: das linhas globais a uma ecologia de saberes. In: SANTOS, Boaventura de Sousa; MENESES, Maria Paula (orgs.). Epistemologias do Sul. Coimbra: Almedina, 2010. p. 23–72.

SANTOS, Boaventura de Sousa. Um discurso sobre as ciências. 16. ed. Porto: Afrontamento, 2009.

Downloads

Publicado

2026-07-23

Como Citar

SILVA, Flávia da; MOY, Emily Alves Cruz. SISLUQUI – Sistema Ludoétnico Quilombola: uma prática pedagógica decolonial e insurgente nas infâncias quilombolas do Monte Recôncavo. Semana de Educação da Pertença Afro-Brasileira, [S. l.], v. 3, p. 106–116, 2026. Disponível em: https://anais2.uesb.br/index.php/sepab/article/view/6080. Acesso em: 26 jul. 2026.

Edição

Seção

Trabalhos completos - GT 01 - Etnicidade, Memória e Educação