Escrevivências decoloniais do enfrentamento epistêmico de um “professor preto raivoso” numa instituição escolar militar

Autores

Palavras-chave:

Escrevivência, Educação, Racismo Institucional

Resumo

Esse texto tem como objetivo evidenciar as escrevivências de um professor da Educação Básica em um colégio militar da Bahia. Trata-se de um estudo decolonial, que integra as vivências e memórias deste ser insubmisso, numa narrativa que fundi o ato de escrever com minha experiência vivida (Evaristo, 2009). Minha escrevivência perpassa pela minha função social, abordando os desafios e enfrentamentos epistêmicos, político-ideológicos e judiciais sobre meu corpo-território. Enquanto professor Doutor, Cishetero e diversonário, no chão da sala de aula ministro Educação Física, sendo meu discurso ancorado em abordagens crítico-social, dos direitos humanos, justiça social e emancipação de corpos, atravessados pela luta contra todos os tipos de violências, sobremaneira, racismo, sexismo, Lgbtfobia e transfobia. Desta forma, durante dezoito anos, enfrentei, em lutas justas e injustas, diversas manifestações de violências institucionais, sempre numa perspectiva respeitosa e crítica, gozando de respeito e crédito da comunidade escolar. Desestabilizando a normatividade de violências instituídas aos corpos-território de estudantes, corpos negros, de mulheres, hipossuficientes, dissidentes, de religião de matriz africana, os fracos emocionalmente e vulneráveis. Entretanto, as forças autoritárias que regem a instituição me viram como uma ameaça e, montaram um aparato de vigilância constante, de perseguição e diligências para montar um dossiê contra o “professor preto raivoso”. Desta forma, usaram o aparato militar que culminou em processos administrativos extremamente violentos e adoecedor. Perdi o direito de me defender e de estar no ambiente escolar, restando-me um único lugar para o meu ser/estar no chão escola: afastamento, culpabailização e inferioridade (Fanon, 2008). E eu, um professor comprometido que sempre defendi, dentro da minha liberdade de cátedra, o respeito a diversidade e a liberdade de crença, ao direito a manifestações de classe e a uma sociedade antirracista, fui condenado, silenciado e eliminado (Evaristo, 2009). Esse texto, para muito além de um relato pessoal, constitui-se como um método interdisciplinar decolonial, que permite dar voz e visibilidade as minhas dores e experiências silenciadas, pois a minha escrita marginal é uma ferramenta de resistência, de autorrepresentação e emancipação do meu corpo negro-território.

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Biografia do Autor

Antônio Carlos Santos Silva Pinheiro, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia

Nutricionista. Doutor em Ciências da Saúde. Docente do Departamento de Saúde II.  Coordenador do Programa de Extensão Aspectos Sociais e Condições de Saúde da População Negra/ ODEERE. Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB). E-mail: antonio.silva@uesb.edu.br

Referências

EVARISTO, C. Literatura negra: uma poética de nossa afro-brasilidade. Scripta, Belo Horizonte, v. 13, n. 25, p. 17-31, 2009.

FANON, F. Pele negra, máscaras brancas. Bahia: Editora da Universidade Federal da Bahia, 2008.

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Publicado

2026-07-23

Como Citar

PINHEIRO, Antônio Carlos Santos Silva. Escrevivências decoloniais do enfrentamento epistêmico de um “professor preto raivoso” numa instituição escolar militar. Semana de Educação da Pertença Afro-Brasileira, [S. l.], v. 3, p. 247–248, 2026. Disponível em: https://anais2.uesb.br/index.php/sepab/article/view/6096. Acesso em: 26 jul. 2026.

Edição

Seção

Resumos - GT 01 - Etnicidade, Memória e Educação