Ilê Axé Ibecê Alaketu Ogum Megegê como território de cura na cidade de Governador Mangabeira-BA
Palavras-chave:
Espiritualidade, Cuidado cultural, Candomblé, Valorização CulturalResumo
O espaço sagrado do Candomblé configura-se como território onde saúde e espiritualidade se interrelacionam, sendo o adoecimento compreendido como desarmonia entre corpo, mente e espírito. O objetivo deste estudo foi evidenciar as escrevivênciasno Ilê Axé Ketu, destacando a articulação entre espiritualidade, terapias tradicionais e a promoção do cuidado cultural. Trata-se de um estudo decolonial, designado como relato de experiência pautado na epistemologia decolonial de Conceição Evaristo (2009), integrando as vivências e memórias deste espaço de cuidado, numa narrativa que funde escrever/experiência vivida na construção do conhecimento. O Ilê Axé Ibecê Alaketu Ogum Megegê, pertencente à nação Ketu, foi fundado em 1920 por Pai Nezinho de Ogum, (Nezinho bom de pó). Localiza-se no Portão de Muritiba, em Governador Mangabeira-BA e ergue-se como um símbolo de fé, resistência e continuidade ancestral. Atualmente, é liderado pela Yalorixá Mãe Cacho de Omolu, guardiã dos fundamentos e responsável por manter viva a tradição iorubá herdada dos mais velhos. A comunidade se reúne para louvar os orixás e os ancestrais, com destaque para Ogum, força guerreira que abre caminhos, protege e sustenta a história desta casa. Aslideranças do Terreiro são guardiãs dos saberes ancestrais, conduzindo os rituais que promovem a harmonização energética e a restauração do bem-estar. Elementos como o bóri, cerimônia voltada ao Orí, que simboliza a cabeça e a conexão com o destino, e o ebó, prática de purificação e reequilíbrio, são indispensáveis para a manutenção da vitalidade. O terreiro, através dos ebomis, detentores de conhecimentos fitoterápicos e culturais, representa ainda um espaço de empreendedorismo ético e fortalecimento comunitário. O Ilê Axé manifesta-se como espaço terapêutico onde o cuidado transcende o biológico, integrando práticas espirituais como o bóri, que visa o alinhamento do Orí — eixo central da consciência e vitalidade. O ebó, executado para purificação e equilíbrio energético, potencializa a cura de enfermidades crônicas e transtornos emocionais. Banhos com ervas medicinais, preparados e aplicados pelos ebomis, atuam como intervenções fitoterápicas que fortalecem corpo e mente. O terreiro também se configura como espaço de empreendedorismo ético, com atividades ligadas à produção de insumos terapêuticos e prestação de serviços comunitários. Conclui-se que, a existência e resistência das práticas em saúde do Ilê Axé fortalece a dimensão ancestral, cultural, política e ética do cuidado, promovendo saúde integral e valorizando a espiritualidade enquanto recurso terapêutico. O reconhecimento, fortalecimento e valorização desta instituição como espaço de cura amplia o olhar sobre a espiritualidade e sustentabilidade dos Povos e Comunidades de Terreiro, território essencial de cura e resistência cultural.
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Referências
EVARISTO, C. Literatura negra: uma poética de nossa afro-brasilidade. Scripta, Belo Horizonte, v. 13, n. 25, p. 17-31, 2009.
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