As religiões de matriz africana no cárcere: um direito constitucional

Autores

Palavras-chave:

Cárcere, Religiões de matriz africana, Resolução 34/2024

Resumo

Este trabalho tem como objetivo discutir sobre o acesso incondicional ao direito garantido pela lei constitucional brasileira à expressão religiosa, especificamente as religiões de matriz africana, em todos os espaços, incluindo o cárcere. As religiões de matriz africana, como o Candomblé e a Umbanda, no espaço carcerário fortalecem o exercício da liberdade de crença, assegurada pela Constituição Federal de 1988. E, nesse sentido, a Resolução nº 34/2024 marca um avanço em direção ao reconhecimento e à institucionalização da diversidade religiosa dentro dos presídios, visto que a presença de rituais e lideranças religiosas no sistema carcerário dimensiona momentos de acolhimento, pertencimento e reconstrução subjetiva, fortalecendo valores comunitários, respeito à ancestralidade e formas alternativas e convivência. Embora, a implementação da Resolução nº 34/2024 aponte lacunas significativas como a falta de infraestrutura, a invisibilidade e o preconceito religioso, derivado pela hegemonia cristã, frequentemente privilegiada nas instituições carcerárias, é necessária uma discussão ampla em que questões políticas, étnicas, sociais e não somente espirituais sejam colocadas em pauta. Assim sendo, as religiões de matriz africana no espaço carcerário, ao representarem também resistência a um ambiente atravessado pelo disciplinamento dos corpos, em geral negros, bem como o apagamento de suas identidades ancestrais, configura-se como práticas de cuidado, de reconhecimento da dignidade e de humanização.

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Biografia do Autor

Antonio Leandro Fagundes Sarno, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia

Mestrando em Direito, pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Presidente da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa da OAB/BA – Subseção Vitória da Conquista (2025-2027) e consultor jurídico do Movimento Consciência Negra Todo Dia e comunidades de quilombolas nas cidades de Poções, Planalto, Bom Jesus da Serra, Nova Canaã, Anagé e Bom Jesus da Lapa, Bahia.

 

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Publicado

2026-07-23

Como Citar

FONTENELE, Luziet; SARNO, Antonio Leandro Fagundes. As religiões de matriz africana no cárcere: um direito constitucional . Semana de Educação da Pertença Afro-Brasileira, [S. l.], v. 3, p. 172–180, 2026. Disponível em: https://anais2.uesb.br/index.php/sepab/article/view/6118. Acesso em: 26 jul. 2026.

Edição

Seção

Trabalhos completos - GT 01 - Etnicidade, Memória e Educação