PROCESSOS DE ENSINO E APRENDIZAGEM NA EDUCAÇÃO ESCOLAR INDÍGENA
Palavras-chave:
Direitos fundamentais, Educação Indígena, InterculturalidadeResumo
O presente artigo discute os processos de ensino e aprendizagem na educação escolar indígena no Brasil, tendo como eixo central a análise da educação enquanto direito fundamental garantido pela Constituição Federal de 1988. A partir de uma perspectiva crítica, evidencia-se que, embora a legislação brasileira tenha avançado no reconhecimento da diversidade cultural e no estabelecimento da categoria de escola indígena, a prática educativa ainda enfrenta sérios entraves. Entre os principais desafios estão a precariedade da infraestrutura, a ausência de materiais didáticos específicos, a escassez de professores indígenas e a permanência de currículos homogeneizantes, que pouco dialogam com as realidades locais. O currículo, compreendido como campo de disputa simbólica e política, torna-se central para compreender os limites e as possibilidades da educação intercultural. Fundamentado em autores como Paulo Freire, Catherine Walsh e Fábio Konder Comparato, o texto defende que a educação indígena precisa ser construída com os indígenas e não apenas para eles, assegurando protagonismo, autonomia curricular e valorização dos saberes tradicionais em diálogo com os conhecimentos universais. Conclui-se que a efetivação de uma educação escolar indígena emancipatória depende da consolidação de políticas públicas que garantam recursos, reconhecimento da diversidade e fortalecimento da autodeterminação dos povos originários
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