ESPAÇO DE RESISTÊNCIA: uma análise interseccional da violência contra mulheres em Caetité-BA
Palavras-chave:
Mulheres, Interseccional, Caetité/BAResumo
Este trabalho analisa a violência de gênero contra mulheres negras a partir do conceito de quilombo, tal como elaborado por Beatriz Nascimento no documentário Ori (Nascimento; Lopes, 1989) e na obra Sou Atlântica (Gonçalves, 2006). Dados do IPEA (2023) revelam que 66% das vítimas de feminicídio e homicídio no país são mulheres negras, realidade que se repete em contextos locais, como em Caetité-BA, onde pesquisa de Silva, Sousa e Costa (2023) aponta a predominância de vítimas pardas e negras, inclusive em comunidades quilombolas. Esses números evidenciam a interseccionalidade entre raça, gênero e classe na perpetuação da violência. Apesar dos avanços trazidos pela Lei Maria da Penha (2006), observa-se a ausência de um recorte étnico-racial que contemple as especificidades das mulheres negras, limitando a efetividade das políticas de proteção. Diante disso, o quilombo emerge não apenas como um espaço histórico, mas como uma prática política contemporânea de acolhimento, ancestralidade e resistência. Conclui-se que a luta das mulheres negras exige políticas públicas interseccionais, capazes de combater o racismo, o sexismo e a marginalização socioeconômica. O quilombo, nesse sentido, simboliza a reexistência negra feminina, apontando caminhos para a construção de uma sociedade verdadeiramente justa e inclusiva.
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Referências
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