AS DISPUTAS DE SENTIDO NOS VÍDEOS-MANIFESTO SOBRE A INDICAÇÃO DE UMA MINISTRA NEGRA AO STF
Palavras-chave:
Memória discursiva, Ministra negra, ResistênciaResumo
O trabalho, ancorado nos dispositivos teórico-metodológicos da Análise de Discurso (AD) fundada por Michel Pêcheux e em contribuições das Ciências Sociais, objetiva observar as disputas de sentido instauradas em dois vídeos-manifesto vinculados à campanha por uma ministra negra no Supremo Tribunal Federal (STF) — lançada pelo Instituto de Defesa da População Negra (IDPN) após a rejeição da indicação de Jorge Messias ao cargo em abril de 2026 — e como esses vídeos funcionam enquanto discurso de resistência nas redes sociais digitais, confrontando sentidos hegemônicos. Metodologicamente, o percurso analítico constituiu-se a partir da captura de duas Sequências Discursivas (SDs) publicadas no Instagram, sobre as quais foram realizados gestos de leitura ancorados na tensão entre descrição e interpretação característica da AD pêcheuxtiana.
A análise da SD01 — fotograma do vídeo-manifesto do IDPN — evidencia que a equiparação entre "indicação" e "reparação" funciona como gesto de resistência à Formação Discursiva racista atravessada pela ideologia meritocrática, deslocando o sentido de escolha meramente técnica para o de resposta a uma memória histórica de exclusão da população negra dos espaços de decisão. Já a SD02 — fotograma do vídeo-manifesto da poetisa Flora Rodrigues — revela uma tomada de posição antirracista que denuncia a permanência de estruturas raciais herdadas da colonização na distribuição do poder no STF. Conclui-se que ambos os vídeos-manifestos constituem discursividades de resistência aos discursos racista e machista, promovendo confrontos com a memória discursiva racista e instaurando deslocamentos e novos efeitos de sentido acerca da representatividade negra e da ocupação de espaços de poder, tensionando sentidos naturalizados pela ideologia racista e meritocrática.
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