A MEMÓRIA AMERÍNDIA COMO ATO DE RESISTÊNCIA: PERMANÊNCIAS INDÍGENAS NO CATECISMO KIRIRI (1698)

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Palavras-chave:

Catecismo Kiriri, Educação, Catequese colonial, Memória, Resistência

Resumo

O trabalho, situado no campo da História da Educação e fundamentado nas contribuições da Nova História Indígena, tem por objetivo analisar de que maneira o Catecismo da Doutrina Christãa na Lingua Brasilica da Nação Kiriri (1698), elaborado pelo jesuíta Luiz Vincêncio Mamiani, preservou elementos da memória ameríndia Kiriri, evidenciando que os indígenas conseguiram inscrever aspectos de seus costumes, crenças, práticas cotidianas e de sua língua em um documento produzido no contexto da catequese, compreendidos como formas de resistência cultural diante do processo colonizador. Metodologicamente, a pesquisa apoia-se em revisão bibliográfica sobre catequese jesuítica, memória e Nova História Indígena, seguida de análise documental crítica do catecismo, considerada a principal fonte da investigação, atenta às intencionalidades e relações de poder que atravessam sua produção.

Os resultados evidenciam que Mamiani, ao registrar e condenar práticas indígenas consideradas "abusões" — como curas por cantigas e rituais —, e ao apresentar um catálogo de vocábulos kiriri relativos a graus de parentesco, acabou por preservar, ainda que sob o filtro de seu juízo de valor cristão-europeu, vestígios significativos da memória oral e étnica desse povo, incluindo aspectos do calendário festivo e do cotidiano da Missão de Geru. Conclui-se que os indígenas Kiriri mantiveram presença ativa no processo missionário, não tendo suas vozes totalmente suplantadas pelo discurso colonizador, de modo que o catecismo, concebido como instrumento de evangelização, converteu-se também em importante repositório da memória ameríndia, preservando registros linguísticos e culturais mesmo diante da ausência direta das vozes indígenas.

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Biografia do Autor

Camila Nunes Duarte Silveira, Instituto Federal Baiano, Bahia, Brasil

Doutora em Memória: Linguagem e Sociedade pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (2018). Mestra em Memória: Linguagem e Sociedade pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (2013). Especialista em Fundamentos Sociais e Políticos da Educação pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia(2012); Especialista em Psicologia da Educação pela Faculdade Juvêncio Terra (2008) . Licenciada em História pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (2011); Licenciada em Pedagogia pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (2005). Atualmente é professora EBTT do Quadro de Pessoal Permanente do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Baiano - Campus Itapetinga/BA. Membro do grupo de Pesquisa Fundamentos em Memória, Religião, Imagem e Educação - Museu Pedagógico (UESB) ; e do LABHUMA - Grupo de Pesquisa e Laboratório de Estudos em Humanidades ( IF Baiano). Tem experiência na área de educação, atuando principalmente nos seguintes temas: História da educação, Educação e Religião, Educação Colonial, Estudos Jesuíticos, Políticas Públicas Educacionais

Maria Cleidiana Oliveira de Almeida, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia, Bahia, Brasil

Possui graduação em História pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (1996). Mestrado e Doutorado em Memória, Linguagem e Sociedade, pela UESB (2014-2019). Membro do Grupo de Pesquisa: Fundamentos em Memória, Religião, Imagem e Educação - Museu Pedagógico (UESB). Atualmente é professora efetiva do ensino médio, técnico e tecnologia do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia.

Referências

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Publicado

2026-11-04