TRÊS PARTIDOS E A RELAÇÃO COM AS CLASSES: UMA INTERPRETAÇÃO SOBRE O PAPEL DO PTB, PCB E PT A PARTIR DAS LENTES DE GRAMSCI.

Autores

Palavras-chave:

Gramsci, Partido dos Trabalhadores, Partido Comunista Brasileiro, PTB, Partidos políticos

Resumo

A pesquisa, recorte da fase teórica de uma tese de doutorado voltada à análise da criação do PT no Vale do Jequitinhonha, propõe investigar, a partir do conceito gramsciano de partido como "príncipe moderno", se a premissa do partido político como representante da classe pode ser observada no quadro histórico brasileiro e quais partidos poderiam ser assim considerados. Metodologicamente, o estudo é de caráter bibliográfico e articula-se em dois recortes temporais: a construção partidária entre 1920 e 1964, e a partir da abertura política ao final dos anos 1970, fundamentando-se em autores como Löwy (2023), Portelli (1977), Coutinho (2011), Gomes (1988), Iani (1975), Singer (2018), Secco (2023) e Iasi et al. (2019), além do próprio Gramsci (1989).

A discussão identifica três partidos brasileiros construídos a partir de base classista — PTB, PCB e PT —, distinguindo o PTB como um "partido para a classe", criado de cima para baixo em torno de Getúlio Vargas com feições populistas para conter o avanço organizativo do operariado, do PCB e do PT, compreendidos como "partidos da classe", surgidos de baixo para cima em momentos distintos (1922 e 1980, respectivamente) a partir da própria mobilização da classe trabalhadora. Conclui-se que a luta de classes no Brasil produziu tanto uma organização estruturada para conter a classe (PTB) quanto duas organizações voltadas a romper o bloco histórico da burguesia (PCB e PT), ainda que atravessadas por contradições, como o fenômeno do transformismo observado nas alianças de classe do PT no poder, reafirmando-se, na perspectiva gramsciana, que a derrota ou cooptação temporária de um partido não significa o fim da classe, mas antes elementos de continuidade e acúmulo das lutas históricas em diferentes ciclos.

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Biografia do Autor

Fabiano Rosa de Magalhães, Instituto Federal do Norte de Minas Gerais, Almenara, Minas Gerais, Brasil

Doutorando no Programa de Pós Graduação em Desenvolvimento Social pela Unimontes-MG. Possui graduação em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Minas Gerais (Licenciatura e Bacharelado). Graduação em Geografia (Licenciatura); Mestrado em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG). Foi professor de Sociologia e Sociologia e Extensão Rural no Instituto Federal do Norte de Minas (IFNMG) - Campus Salinas. Atualmente leciona Sociologia, Ciências Sociais e Saúde e Sociologia Rural no Campus Araçuaí. Integra o Núcleo de Estudos e Pesquisas Rurais do IFNMG (dgp.cnpq.br/dgp/espelhogrupo/9392829264486952), Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Juventudes - (dgp.cnpq.br/dgp/espelhogrupo/1179978666774541); Dentre as suas atividades na área da educação, destaca-se a função de coordenador de área de Sociologia e Grupo de Trabalho Sociologia e Filosofia - IFNMG, além de Comissão de Pesquisa do IFNMG - Campus Araçuaí. Tem experiência na área de Ciências Sociais e também em Geografia, com ênfase em Geografia Urbana, atuando principalmente nos seguintes temas: Territorialidade, Movimentos Sociais, Ensino de Geografia, Sociologia da Juventude, Partidos Políticos e Poder local, Juventude Rural. Sociologia da Educação e Sociologia do Trabalho, Sociologia Rural; Sociologia da Alimentação; Sociologia da Saúde

Referências

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SINGER, André. O lulismo em crise. Um quebra cabeça no período Dilma (2011-20196). São Paulo: Companhia das Letras, 2018.

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Publicado

2026-11-04