A MOBILIDADE DA FORÇA DE TRABALHO COMO ESTRATÉGIA DE LUTA E RESISTÊNCIA NO TERRITÓRIO QUILOMBOLA DO VELAME
Palavras-chave:
Território quilombola, Mobilidade, Força de trabalho, ResistênciaResumo
O trabalho, desdobramento de pesquisa de mestrado em andamento, tem como objetivo analisar a mobilidade da força de trabalho da população quilombola como estratégia de luta e resistência para garantir a reprodução da vida, tomando como recorte o Território do Velame, localizado no distrito de Veredinha, município de Vitória da Conquista-BA, e o avanço do Estado e do capital sobre seus processos de trabalho. Com abordagem qualitativa e quantitativa, fundamentada no materialismo dialético e na totalidade concreta de Kosik (1976), a pesquisa dialoga com Oliveira (1999) e Almeida (2026) sobre território, com Moura (2021) e Fiabani (2008) sobre a resistência quilombola e com Gaudemar (1977) sobre mobilidade da força de trabalho, e reúne levantamento de dados primários e secundários (IBGE, 2023), observações, registros fotográficos, questionários aplicados a representantes das famílias e entrevistas com gestores municipais.
Os resultados preliminares evidenciam forte relação das famílias com a terra, associada às condições objetivas de reprodução da vida, e revelam que a permanência no território articula-se à venda da força de trabalho fora dele, sobretudo por jovens, mulheres diaristas e homens empregados em serviços gerais e construção civil, em contexto de morosidade na titulação dos territórios e de precariedade nas condições de existência. Discute-se que essa mobilidade não configura escolha autônoma, mas exigência da acumulação capitalista, que converte os territórios quilombolas em espaços de reserva de força de trabalho. Conclui-se que os territórios quilombolas não estão à margem das dinâmicas do mundo do trabalho e que a mobilidade da força de trabalho constitui, contraditoriamente, uma forma de lutar e resistir para permanecer em seus territórios.
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Referências
FIABANI, A. Os novos quilombos. Luta pela terra e afirmação étnica no Brasil (1988- 2008). 2008. 275 f. Tese (Doutorado em História) Universidade do Vale do Rio dos Sinos – UNISINOS, São Leopoldo, 2008.
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OLIVEIRA, A. U. de. A geografia agrária e as transformações territoriais recentes no campo brasileiro. In.: CARLOS, A. F.A.; DAMIANI, A. L.; OLIVEIRA, A. U. et al. (Org.). Novos caminhos da geografia. São Paulo: Contexto, 1999, p. 63-107.
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