A CARNAVALIZAÇÃO DA MEMÓRIA: A PERFORMANCE DO UMBANDAUM EM CARAVELAS- BA

Autores

Palavras-chave:

Carnavalização, Memória, Performance, Umbandaum

Resumo

O grupo Afroindígena de Antropologia Cultural Umbandaum foi formado por caravelenses no ensejo das comemorações do centenário da abolição. A união de três artistas Jaco e Jó Galdino com Itamar dos Anjos Silva, em apresentações teatrais pelas ruas de Caravelas, Bahia, originou uma intervenção na festa do centenário da abolição, quando saíram às ruas carregando a faixa “100 anos da falsa abolição” (Pereira, 2023, p.13). A motivação de disputar a memória da abolição com os grupos da elite local evidencia uma batalha pelo significado, a qual nos interessa refletir. É na cultura afro-indígena que o coletivo encontra signos para realizar essa disputa sociossimbólica.

O Umbandaum é também um grupo carnavalesco, sendo um dos projetos do Movimento Cultural Arte Manha, que vem atuando na cidade de Caravelas e seus arredores através da arte e da educação afro-indígena. O Arte Manha que vem apresentando diversas fissuras na narrativa hegemônica que liga o extremo sul da Bahia à herança colonial, seja através da sua música marcada pela percussão, pela performance da dança e a estética negra durante os desfiles carnavalescos, e/ou pela produção de filmes que questionam a narrativa do colonialismo desde a “descoberta do Brasil pelos portugueses” até à implantação da eucaliptocultura, que envolve toda uma narrativa de progresso. Na presente comunicação buscamos compreender como o processo da carnavalização da memória faz parte da disputa sociossimbólica, através da análise da performance carnavalesca do Umbandaum em Caravelas, em 2025.

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Biografia do Autor

Priscila Santos da Glória, Universidade do Estado da Bahia

Possui graduação em Historia pela Universidade Estadual de Santa Cruz (2007) e mestrado em História Regional e Local pela Universidade do Estado da Bahia (2011). Atualmente é professora assistente da Universidade do Estado da Bahia, Campus XVIII, Eunápolis, atuando nas áreas de História do Brasil, Cultura Documental e Patrimonial, Laboratório do Ensino de História, e Estágio Curricular Supervisionado. Coordena o Laboratório Virtual de História UNEB/XVIII. Tem experiência na área de História, com ênfase em História do Brasil, atuando nos seguintes temas: cidade, memória, trajetórias, educação patrimonial, e ensino de história local e regional. Atualmente realiza doutoramento em Memória, Linguagem e Sociedade na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia.

Edson Silva de Farias, Universidade de Brasília

Pesquisador do CNPq. Professor titular do Departamento de Sociologia da Universidade de Brasília (UnB). Graduado em Comunicação Social pela Universidade Federal Fluminense (1989) e mestre em Sociologia pela Universidade Estadual de Campinas (1995), com doutorado em Ciências Sociais pela mesma instituição (2001). Pós-doutoramento pelo Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (2023), onde atuou como professor convidado, e pelo Colégio de México, onde esteve como pesquisador visitante (2012). Professor associado do Programa de Pós-Graduação em Memória: Sociedade e Linguagem da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Tem experiência na área de Sociologia, com ênfase em Teoria Sociológica e Sociologia da Cultura. Pesquisa audiovisual, cultura popular de massas, memória, economia simbólica,consumo cultural e formação de subjetividades artísticas.Coordena o Comitê de Pesquisa em Sociologia da Cultura da Sociedade Brasileira de Sociologia. Membro do Comitê de Patrimônio e Cultura Brasileira da ANPOCS. Atua no Forum Entidades do Patrimônio. Coordenou a equipe responsável pela pesquisa e pelo dossiê que subsidiaram o reconhecimento do Complexo Cultural do Boi-Bumbá Amazônico como patrimônio cultural do Brasil, pelo IPHAN. Autor dos livros: Política e economia do simbólico: ensaios de Sociologia da Cultura (2026); Percursos de pesquisa em cultura, memória e desenvolvimento (2025); Durações e redes de fluxos no cenário cultural contemporâneo (mercados, memória e consumo) (2019); Arte e cultura nas ciências sociais (2019); Retas que prosseguem em curvas: Tensões nos usos do contexto metropolitano brasiliense (2018); Faces contemporâneas da cultura popular (2017); Ócio e negócio: festas populares e entretenimento-turismo no Brasil (2011); Práticas culturais nos fluxos e redes da sociedade de consumidores (2010); O mesmo e o diverso: olhares sobre cultura, memória e desenvolvimento (2009); O desfile e a cidade: o carnaval-espetáculo carioca (2006). Lidera o Grupo de Pesquisa em Cultura, Memória e Desenvolvimento (CMD www.culturaememoria.com.br). Editor da revista Arquivos CMD (http://www.culturaememoria.com.br/revista/index.php/cmd).

Referências

CAVALCANTI, Maria Laura Viveiro de Castro. Drama, ritual e performance: a antropologia de Victor Turner. Rio de Janeiro: Mauad, 2020.

FARIAS, Edson Silva de. O saber carnavalesco: criação, ilusão e tradição no carnaval carioca. In: Sociologia & Antropologia. Rio de Janeiro, V. 05, Abril, 2015.

GEERTZ, Clifford. A interpretação das culturas. Rio de Janeiro: LTC, 2008.

PEREIRA, Jéssica Silva. Os blocos afro baianos e o surgimento do grupo Afro-indígena de Antropologia Cultural Umbandaum: fluxos, subjetividades e conexões. In: Anais do 32º Simpósio Nacional de História – ANPUH Nacional. Jul. 2023, São Luís, MA.

ORIBI, Esiaba. O que eles trouxeram consigo: carnaval e persistência da performance estética africana na diáspora. In: Projeto História, n. 44, jun. 2012, São Paulo.

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Publicado

2026-11-04