A ESCOLA DA RECONQUISTA: SABERES INDÍGENAS E A DESCONSTRUÇÃO DO PENSAMENTO COLONIAL COMO ATO POLÍTICO

Autores

Palavras-chave:

Decolonialidade, Mayá, Pedagogia da retomada, Resistência epistêmica

Resumo

O presente artigo realiza uma análise literária da obra A escola da reconquista, de Maria Muniz Andrade Ribeiro (Mayá), publicada em 2021, articulando-a ao pensamento de Aníbal Quijano (2005) sobre colonialidade do poder e eurocentrismo, às reflexões de Casé Angatu (2015) acerca do ensino de história indígena e ao conceito de "memórias subterrâneas" de Michael Pollak (1989). O objetivo central é investigar como a trajetória e a prática educativa da Mestra Mayá constituem formas de resistência ao pensamento eurocêntrico, conectando a experiência das retomadas Pataxó Hã-Hã-Hãe à construção de uma educação decolonial. A pesquisa, de natureza qualitativa, exploratória e bibliográfica, evidencia que a educação praticada por Mayá — fundamentada na oralidade, nas memórias ancestrais e nos saberes comunitários — tensiona a lógica colonial que historicamente silenciou os povos originários e impôs um currículo eurocêntrico nas escolas. Conclui-se que as narrativas e práticas pedagógicas da autora configuram um ato político de resistência epistêmica, capaz de criar fissuras no pensamento hegemônico e de afirmar a educação indígena como instrumento de descolonização do saber.

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Biografia do Autor

Maria Clara Trancoso Silva, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Vitória da Conquista, Bahia, Brasil

Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGEd) da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), campus de Vitória da Conquista; Licenciada em Pedagogia pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, campus Itapetinga. Pesquisadora do Grupo de Investigação sobre Narrativas, Práticas Letradas e Discurso (GRINPRALED)

Amanda Coelho Chagas, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Vitória da Conquista, Bahia, Brasil

Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (PPGEd/Uesb). Licenciada em Ciências Sociais pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia - UESB, campus Vitória da Conquista. Bolsista de monitoria do UPT (Universidade para Todos)  pelo Governo no Estado da Bahia, por meio da Sec.

Referências

ANDRADE RIBEIRO, Maria Muniz (Mayá). A escola da reconquista. [S. l.]: Teia dos Povos, 2021.

PEREIRA, Levi Marques; PECHINCHA, Mônica Thereza Soares; COLMAN, Rosa Sebastiana (org.). Retomadas indígenas. Goiânia: Cegraf UFG, 2024.

POLLAK, Michael. Memória, esquecimento, silêncio. In: Estudos Históricos, Rio de Janeiro, vol. 2, n. 3, 1989, p. 3-15.

QUIJANO, Aníbal. Colonialidade do poder, eurocentrismo e América Latina. Revista Novos Rumos, São Paulo, ano 17, n. 37, p. 125, 2002. (Nota: A referência original apresentada no texto menciona 2002 como o ano de publicação na revista).

SANTOS, Carlos José Ferreira dos (Casé Angatu). "Histórias e culturas indígenas" - alguns desafios no ensino e na aplicação da Lei 11.645/2008: de qual história e cultura indígena estamos mesmo falando?. História e Perspectivas, Uberlândia, n. 53, p. 179-209, jan./jun. 2015.

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Publicado

2026-11-04