CLASSIFICAÇÃO DOS GÊNEROS E SUBGÊNEROS DAS CANTIGAS DE DEFUNTOS INFANTIS NO CANCIONEIRO DOS ANJOS
Palavras-chave:
Cantigas de defunto, Patrimônio imaterial, Sertão caraibense, Batuques, IncelençasResumo
O trabalho, que compõe pesquisa de mestrado sobre variações sociolinguísticas em cantigas fúnebres, apresenta a sistematização e categorização dos gêneros e subgêneros das cantigas de defuntos infantis (anjos) e adultos (pecadores) catalogadas na obra Cancioneiro dos Anjos: incelenças e batuques de defuntos infantis no Sertão Caraibense (Abade, 2024), com o objetivo de mapear e classificar essas peças musicais e poéticas da comunidade de Caraíbas, Bahia, explicitando os critérios linguísticos, rítmicos e pragmáticos que diferenciam os macrogêneros "batuques" e "incelenças". De natureza qualitativa e quantitativa, descritivo-explicativa, a pesquisa fundamenta-se na Sociolinguística Variacionista (Labov, 2008 [1972]; 2010 [1994]), em autores como Câmara Cascudo (1999) e Cândida Galeno (1977), e analisa um corpus de 128 cantigas a partir de três dimensões — ritmo, tom do conteúdo e função comunicativa —, cruzando depoimentos de entoadeiros locais com critérios estruturais predefinidos.
Os resultados identificaram 73 incelenças e 55 batuques, sendo 23 incelenças destinadas a "pecadores" e 105 cantigas (entre incelenças e batuques) direcionadas a "anjos", refletindo distinção teológica e sociocultural entre o velório festivo das crianças, concebidas como almas inocentes, e o velório estritamente espiritual dos adultos, nos quais a execução de batuques é terminantemente proibida; os batuques, de traço rítmico e divertido, cumprem função de entretenimento e manutenção da vigília, enquanto as incelenças, de tom piedoso e cadência mais lenta, destinam-se à encomendação da alma, conforme sistematizado em dez subcategorias para incelenças de pecador e sete para incelenças e batuques de anjo. Conclui-se que a diferenciação entre batuques e incelenças ultrapassa propriedades puramente musicais, sendo determinada por critérios pragmáticos de ordem religiosa, etária e funcional, de modo que o mapeamento desses traços discursivos preserva a memória social de Caraíbas e contribui para os estudos sobre linguagem, folclore e identidade no sudoeste baiano.
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Referências
ABADE, Jackson. Cancioneiro dos Anjos: incelenças e batuques de defuntos infantis no Sertão Caraibense. Carmo do Rio Claro: Manufatura das Letras, 2024.
CASCUDO, Luís da Câmara. Dicionário do Folclore Brasileiro. 10. ed. Rio de Janeiro: Ediouro, 1999.
GALENO, Cândida Maria Santiago. Ritos fúnebres no interior cearense. Fortaleza: Henriqueta Galeno, 1977.
LABOV, William. Padrões sociolinguísticos. São Paulo: Parábola Editorial, 2008 [1972].
LABOV, W. Principles of Linguistic Change. 3. ed. Oxford: Wiley-Blackwell, 2010 [1994].
LUCCHESI, Dante. Projeto Vertentes do Português Popular do Estado da Bahia: chave de transcrição. Salvador: UFBA, [s.d.]. Disponível em: https://vertentes.ufba.br/. Acesso em: 8 jun. 2025.
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