A MATERNIDADE NO BRASIL E NA NIGÉRIA: REVEL(AÇÕES) PARA UMA DESCOLONIZAÇÃO SENSORIAL
Palavras-chave:
Maternidade negra, Feminismo Negro, Brasil e Nigéria, Descolonização SensorialResumo
Esta pesquisa problematiza e analisa comparativamente experiências da maternidade entre mulheres negras no Brasil e na Nigéria, por meio das obras “Insubmissas Lágrimas de Mulheres” de Conceição Evaristo e “As Alegrias da Maternidade” de Buchi Emecheta. O objetivo principal dessa investigação é destacar as vivências das mães negras pelas estruturas de patriarcado, afetadas também pela colonização, feminismo e Interseccionalidade. A pesquisa tem o propósito de evidenciar “descolonização sensorial”, que se configura como um processo de (des)construção de discursos eurocêntricos que definem a maternidade negra apenas como instinto natural, altruísmo ou sacrifício. Esta dissertação propõe a desmistificação do sentir, narrar e vivenciar a maternidade a partir de epistemologias negras, locais e contra-hegemônicas. Em “Insubmissas Lágrimas de Mulheres”, Conceição Evaristo apresenta a maternidade marcada pela dor, resistência e afeto no contexto da violência estrutural no Brasil. A maternidade é retratada como uma experiência de luta e afirmação identitária estruturada por laços comunitários e herança ancestral, enquanto em “As Alegrias da Maternidade”, Buchi Emecheta descontrói ideologias sobre o papel das mães na sociedade nigeriana. A protagonista, Nnu Ego, vivencia a maternidade como sofrimento e opressão, revelando os conflitos entre as tradições africanas, o colonialismo britânico e as expectativas patriarcais impostas às mulheres na Nigéria. A pesquisa, portanto, por meio das duas obras literárias, oferece uma abordagem comparativa sobre a maternidade negra em ambos os países, desafiando paradigmas coloniais e propondo uma escuta sensível às múltiplas formas de maternidade negra, ou seja, a análise literária atua como ferramenta de descolonização estética, política e sensorial.
Downloads
Referências
COLLINS, Patricia Hill. Interseccionalidade. São Paulo: Boitempo, 2021.
EMECHETA, Buchi. As alegrias da maternidade. São Paulo: Todavia, 2019.
EVARISTO, Conceição. Insubmissas lágrimas de mulheres. 2. ed. Rio de Janeiro: Malê, 2016.
GONZALEZ, Lélia. Por um feminismo afro-latino-americano: ensaios, intervenções e diálogos. Rio de Janeiro: Zahar, 2020.
HOOKS, Bell. O feminismo é para todo mundo: políticas arrebatadoras. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos, 2020.
MIGNOLO, Walter D. Desobediência epistêmica: a opção descolonial e o significado de identidade em política. Cadernos de Letras da UFF, Niterói, n. 34, p. 287-324, 2017.
QUIJANO, Aníbal. Colonialidade do poder, eurocentrismo e América Latina. In: LANDER, Edgardo (org.). A colonialidade do saber: eurocentrismo e ciências sociais. Buenos Aires: CLACSO, 2005. p. 107-130.
SOUZA, Íris Nunes de. Descolonização dos sentidos: perspectivas interculturais e epistemológicas. Vitória da Conquista: Edições UESB, 2023.
WALSH, Catherine. Interculturalidade crítica e pedagogia decolonial. In: CANDAU, Vera Maria (org.). Educação intercultural na América Latina: entre concepções, tensões e propostas. Rio de Janeiro: 7 Letras, 2009. p. 12-43.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Colóquio Nacional e Colóquio Internacional do Museu Pedagógico da UESB

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Você é livre para:
Compartilhar - copia e redistribui o material em qualquer meio ou formato; Adapte - remixe, transforme e construa a partir do material para qualquer propósito, mesmo comercialmente. Esta licença é aceitável para Obras Culturais Livres. O licenciante não pode revogar essas liberdades, desde que você siga os termos da licença.
Sob os seguintes termos:
Atribuição - você deve dar o crédito apropriado, fornecer um link para a licença e indicar se alguma alteração foi feita. Você pode fazer isso de qualquer maneira razoável, mas não de uma forma que sugira que você ou seu uso seja aprovado pelo licenciante.
Não há restrições adicionais - Você não pode aplicar termos legais ou medidas tecnológicas que restrinjam legalmente outros para fazer qualquer uso permitido pela licença.