A VIOLÊNCIA ESTATAL E O SINTOMA DAS IMAGENS EM O BRASIL É TRI (2026)

Autores

Palavras-chave:

Imagem-sintoma, Anacronismo, Ditadura Militar, Cinema

Resumo

O trabalho, em fase inicial de construção, propõe uma análise do curta-metragem O Brasil é Tri (2026), de Edmundo Lacerda, para compreender como os planos e elementos da mise-en-scène evidenciam os contrastes entre a euforia da conquista do tricampeonato mundial de futebol e a violência da Ditadura Militar nos anos 1970, a partir da trajetória de Jorge, um pedreiro torturado até a morte após ser flagrado com um exemplar do Manifesto Comunista; fundamentada nos conceitos de imagem-sintoma e anacronismo de Georges Didi-Huberman (2015) e na proposta benjaminiana de "escovar a história a contrapelo" (BENJAMIN, 1987), a pesquisa, de abordagem qualitativa e método de decupagem fílmica, analisa cenas como a fachada deteriorada da casa de Jorge ornada pela bandeira nacional, identificando nessa composição uma ruptura visual que desestabiliza o discurso oficial de ordem e progresso; conclui-se, ainda que preliminarmente, que o filme materializa o trauma da ditadura como sintoma ativo e não resolvido na memória social brasileira, oferecendo um modelo metodológico para compreender o cinema como dispositivo de remontagem de tempos sofridos que resiste ao esquecimento e ao silenciamento histórico.

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Biografia do Autor

Letícia Mendes da Silva Gonçalves, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Vitória da Conquista, Bahia, Brasil

Possui graduação em Jornalismo pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (2024). Atualmente é mestranda no Programa de Pós-Graduação Memória: Linguagem e Sociedade na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Tem experiência na área de Comunicação, com ênfase em produção de reportagens e editoração em mídias sociais.

Rogério Luiz Silva de Oliveira , Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Vitória da Conquista, Bahia, Brasil

Concluiu doutorado (2016) no Programa em Memória: linguagem e sociedade pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia - UESB, com a tese ''Memória e Criação na Direção de Fotografia'', publicada pela Editora Multifoco (2023). Mestre (2011), pelo mesmo Programa, com a dissertação ''Fotografia e Memória: a criação de passados'', publicada, com o mesmo título, pela Edições UESB. No mestrado, foi bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - CAPES. É integrante do grupo de pesquisa Cultura, Memória e Desenvolvimento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPQ, vinculado à Universidade de Brasília - UNB (http://www.culturaememoria.com.br/) e pesquisador do grupo de pesquisa ''Cinematografia, Expressão e Pensamento'', vinculado à Universidade Federal Fluminense - UFF. Professor titular do curso de Cinema e Audiovisual da UESB, com dedicação exclusiva. Docente do Programa de Pós-Graduação em Memória: Linguagem e Sociedade / UESB. Faz direção de fotografia de trabalhos audiovisuais. É sócio da Associação Brasileira de Cinematografia - ABC, como professor de cinematografia e membro da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual - SOCINE.

Referências

BENJAMIN, Walter. Obras escolhidas. Vol. 1. Magia e técnica, arte e política. Ensaios sobre literatura e história da cultura. Prefácio de Jeanne Marie Gagnebin. São Paulo: Brasiliense, 1987, p. 222-232.

DIDI-HUBERMAN, Georges. Diante do tempo: história da arte e anacronismo das imagens. tradução Vera Casa Nova, Márcia Arbex. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2015.

DIDI-HUBERMAN, Georges. Diante da imagem: questão colocada aos fins de uma história da arte / trad. Paulo Neves. São Paulo: Editora 34, 2013. O Brasil é Tri. Edmundo Lacerda Campos. Vitória da Conquista-BA: Ato3 Produções, 2026. 15 minutos.

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Publicado

2026-11-04