TRABALHO DOCENTE UNIVERSITÁRIO E RESPONSABILIDADE DE CUIDADO: IMPACTOS DA ACUMULAÇÃO FLEXÍVEL E DESAFIOS À PROTEÇÃO JURÍDICA DO TRABALHO

Autores

Palavras-chave:

Trabalho, Docência, Cuidado, Gênero, Capitalismo

Resumo

Este trabalho analisa as tensões entre o trabalho docente universitário e o trabalho reprodutivo feminino no contexto da acumulação flexível e do produtivismo acadêmico, examinando seus impactos sobre a proteção jurídica das docentes. A pesquisa, de abordagem qualitativa e natureza teórico-bibliográfica, fundamenta-se no materialismo histórico-dialético e articula as contribuições de Harvey (1992), Vogel (2022) e Federici (2019) à análise de dados do Censo da Educação Superior de 2021 e de recentes instrumentos normativos brasileiros voltados à equidade de gênero e ao cuidado. Os resultados evidenciam que a lógica da acumulação flexível, incorporada à universidade pública por meio de mecanismos de avaliação e produtividade, amplia as exigências de disponibilidade temporal e intensificação do trabalho, produzindo conflito com a temporalidade própria das atividades de cuidado, historicamente atribuídas às mulheres. Essa sobreposição contribui para a reprodução de desigualdades na carreira acadêmica, uma vez que o trabalho reprodutivo permanece invisibilizado nos critérios institucionais de produtividade. Nesse contexto, a Política Nacional de Cuidados (Lei nº 15.069/2024), o Plano Nacional de Cuidados (Decreto nº 12.562/2025), a Portaria CAPES nº 215/2024 e o Programa Aurora (Portaria CAPES nº 129/2026) representam avanços ao reconhecerem o cuidado como questão de interesse coletivo e preverem mecanismos de corresponsabilização e apoio à permanência de mulheres na ciência. Conclui-se, contudo, que tais instrumentos ainda atuam predominantemente sobre os efeitos das desigualdades, permanecendo em construção uma proteção jurídica capaz de incidir sobre as estruturas que articulam produtivismo, divisão sexual do trabalho e invisibilização do cuidado no âmbito da docência universitária.

 

 

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Biografia do Autor

Lorena da Silva Pereira Barreto, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia

Graduação em Direito pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (2005). Defensora pública do Estado da Bahia desde setembro de 2012 (atuação nas comarcas de Guanambi e Vitória da Conquista). Ex-servidora do Tribunal de Justiça da Bahia, no cargo de assessora de desembargador, de fevereiro de 2008 a setembro de 2012, com atuação nas áreas cível e criminal. Experiência profissional na Defensoria Pública, na área de Direito, com ênfase em Direito de Família e Sucessões. Discente do Mestrado Acadêmico em Direito, em formato associativo, promovido em consórcio pioneiro pelas Universidades Estaduais de Feira de Santana (UEFS), Santa Cruz (UESC), Sudoeste da Bahia (UESB) e do Estado da Bahia (UNEB), com área de concentração denominada Direito, Cidadania e Territorialidades. Integrante do grupo de pesquisa Olaria, que tem como objetivo central a convergência entre Trabalho, Direito e Democracia.

Maria Soledade Soares Cruzes, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia

Doutora em Direito pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Mestra em Direito pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), tendo atuado, como Pesquisadora-Bolsista pela FAPESB. Possui Pós-graduação Lato Sensu em Direito Processual: Grandes Transformações, pela UNAMA/Rede LFG (2007). Graduada em Direito pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB). É professora, em regime de dedicação exclusiva, da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB). Professora efetiva do Programa de Pós-graduação em Direito em formato associativo UEFS/UESB/UESC/UNEB. Pesquisadora líder do OLARIA - Grupo de Pesquisa em Trabalho, Direito e Democracia (UESB) e responsável pelo projeto de pesquisa Pós-democracia e Direito do Trabalho no Brasil: análise sob a perspectiva da Reforma Trabalhista. Professora Tutora do Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde (PET/Saúde - Equidade - 2025/2026). Áreas de interesse: Direito do Trabalho; Territorialidade; Democracia e Pós-democracia.

Referências

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BRASIL. Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior. Programa da CAPES incentiva mulheres mães a continuar na pesquisa. Brasília, DF: CAPES, 26 mar. 2026. Disponível em: https://www.gov.br/capes/pt-br/assuntos/noticias/programa-da-capes-incentiva-mulheres-maes-a-continuar-na-pesquisa?. Acesso em: 14 jun. 2026.

FEDERICI, Silvia. Calibã e a bruxa: mulheres, corpo e acumulação primitiva. Tradução: Coletivo Sycorax. São Paulo: Elefante, 2017.

HARVEY, David. Condição pós-moderna: uma pesquisa sobre as origens da mudança cultural. Tradução de Adail Ubirajara Sobral e Maria Stela Gonçalves. São Paulo: Loyola, 1992.

VOGEL, Lise. Marxismo e a opressão às mulheres: rumo a uma teoria unitária. Tradução de Lívia Godinho. São Paulo: Expressão Popular, 2022.

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Publicado

2026-11-04