A COLOCAÇÃO DOS PRONOMES CLÍTICOS NO PORTUGUÊS BRASILEIRO: UM ESTUDO COMPARATIVO ENTRE ORALIDADE E ESCRITA
Palavras-chave:
Colocação pronominal, Próclise, Ênclise, Português brasileiro, Oralidade e escritaResumo
A pesquisa investiga a variação entre próclise e ênclise em produções orais e escritas de alunos do Ensino Médio, fundamentando-se na Teoria da Variação e Mudança Linguística, desenvolvida por Weinreich, Labov e Herzog (2006 [1968]) e Labov (2008 [1972]). Com abordagem quali-quantitativa, o estudo analisou 20 produções de estudantes do Instituto Federal da Bahia (IFBA), em Vitória da Conquista, sendo 10 textos orais e 10 escritos, considerando fatores linguísticos e extralinguísticos relacionados à colocação pronominal. As produções orais foram obtidas por meio de entrevistas gravadas e transcritas, enquanto as escritas consistiram em redações produzidas em sala de aula, tendo como tema os impactos do bullying na vida escolar. Os resultados evidenciaram predominância categórica da próclise na oralidade, com 118 ocorrências (100%) e ausência de ênclise, enquanto, na escrita, foram registradas 36 ocorrências de próclise (73,5%) e 13 de ênclise (26,5%). A análise da variável sexo também não revelou diferenças significativas, uma vez que a próclise predominou entre homens e mulheres, tanto na oralidade quanto na escrita. Os dados indicam, portanto, a consolidação da colocação pré-verbal dos clíticos como padrão predominante no Português Brasileiro contemporâneo, embora a ênclise ainda permaneça em contextos específicos da modalidade escrita, sobretudo em construções associadas à norma tradicional. Conclui-se que os resultados reforçam a necessidade de considerar a variação linguística no ensino de Língua Portuguesa, aproximando as práticas pedagógicas dos usos efetivos da língua e reconhecendo a heterogeneidade do Português Brasileiro.
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Referências
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