TRAJETÓRIAS FEMININAS NOS CONSELHOS DE EDUCAÇÃO DA BAHIA
Palavras-chave:
Gênero, Conselhos de Educação, Protagonismo feminino, História da Educação BaianaResumo
A pesquisa analisa a trajetória da participação feminina nos Conselhos de Educação da Bahia ao longo de 184 anos, buscando compreender as condições históricas e institucionais que possibilitaram ou limitaram a presença de mulheres nesses espaços de poder e deliberação educacional. Fundamentado na categoria gênero, na perspectiva de Scott (1995), o estudo parte da compreensão de que as relações sociais entre os sexos constituem formas de organização e exercício do poder, articulando essa perspectiva às contribuições de Louro (1997) sobre a feminização do magistério e a participação tardia e desigual das mulheres nos espaços de gestão educacional. De natureza documental e perspectiva histórica, a investigação mobiliza os Relatórios dos Trabalhos do Conselho Interino do Governo da Bahia (1830-1889), os Relatórios dos Presidentes dos Estados Brasileiros – Bahia (1892-1930), periódicos da Hemeroteca Digital Brasileira, legislações educacionais, documentos oficiais e registros do Conselho Estadual de Educação da Bahia (CEE/BA), analisados à luz da História Cultural (Chartier, 2002) e do paradigma indiciário de Ginzburg (2007). Os resultados evidenciam que a Lei nº 172, de 1842, institucionalizou uma organização educacional marcada pela divisão sexual dos papéis sociais, enquanto as sucessivas reformulações dos colegiados, entre 1842 e 1881, mantiveram uma composição predominantemente masculina e elitizada, apesar da crescente presença feminina no magistério e na direção de instituições educacionais. A análise identifica, a partir de 1882, a inserção documentada de mulheres nos Conselhos de Educação, destacando as trajetórias de Maria Augusta de Carvalho, Maria Luiza de Sousa Alves, Edith Mendes da Gama e Abreu, Carmen Spinola Teixeira e Dilza Maria Andrade Atta, primeira mulher a presidir o CEE/BA, em 1989, além da ampliação da participação feminina nas décadas posteriores. Conclui-se que esse percurso expressa um movimento de passagem da exclusão estrutural à participação formal crescente, mas não configura uma trajetória linear de emancipação, uma vez que a presença feminina permaneceu condicionada pelas estruturas de poder e pelas relações de gênero. Nesse sentido, propõe-se a noção de “protagonismo relativo” para compreender a atuação das mulheres nos Conselhos de Educação da Bahia, ressaltando a necessidade de historicizar suas conquistas e de investigar, para além da presença institucional, as condições de permanência, participação e efetiva influência nas decisões educacionais.
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