PROFESSORA LINDAURA FLORENTINO DA DOCÊNCIA LEIGA À INTELECTUAL MEDIADORA NEGRA – BARRA DO ROCHA – BA (1970 – 2000)
Palavras-chave:
História da educação, Professora leiga, Intelectual mediadoraResumo
A pesquisa, desenvolvida a partir de desdobramentos de um Trabalho de Conclusão de Curso em Licenciatura em História e atualmente vinculada ao Mestrado em Educação do PPGE/UESC, ao GRUPPHED/UESC e financiada pela FAPESB, analisa a trajetória de vida de Lindaura Florentino Cordeiro, mulher negra, professora leiga, parteira, enfermeira informal, benzedeira, costureira, agricultora, mantenedora da cultura e liderança comunitária na zona rural de Barra do Rocha-BA, entre 1976 e 2000, compreendendo sua atuação como intelectual mediadora (Gomes e Hansen, 2016) e buscando evidenciar os saberes e fazeres produzidos e compartilhados em sua trajetória. De natureza qualitativa, a investigação articula estudo de caso, pesquisa documental e História Oral (Portelli, 2016), mobilizando entrevistas realizadas no primeiro semestre de 2025 com pessoas pertencentes aos círculos social e familiar da biografada, além de entrevistas previstas com antigos(as) alunos(as) e docentes do Centro Educacional Manoel Muniz de Oliveira (CEMMO). A pesquisa também contempla revisão sistemática de literatura nas revistas Revista Brasileira de História da Educação, Revista da História da Educação e Cadernos de História da Educação, considerando o período de 2015 a 2025 e os descritores “professora leiga”, “professora negra”, “escola rural” e “intelectual”. Os resultados parciais indicam escassez de estudos sobre as contribuições de professoras leigas, especialmente quando compreendidas como intelectuais mediadoras, evidenciando a relevância de investigar trajetórias historicamente invisibilizadas na História da Educação. Fundamentada também nas contribuições de Freire (1992, 1996), Shor e Freire (1986) e Ferreira e Felício (2021), a pesquisa valoriza os saberes comunitários, ancestrais e intergeracionais como elementos que podem integrar os processos educativos escolares. Por se encontrar em andamento, a investigação aguarda autorização do Comitê de Ética em Pesquisa para a realização da segunda etapa das entrevistas e o aprofundamento da revisão bibliográfica. Como produto educacional, prevê-se a elaboração de uma história em quadrinhos sobre a trajetória de Lindaura Florentino, destinada às escolas públicas de Barra do Rocha, com potencial para subsidiar projetos, rodas de leitura, debates e atividades curriculares e extracurriculares. Conclui-se, a partir dos resultados parciais, que a valorização da trajetória de Lindaura Florentino contribui para ampliar a visibilidade de mulheres negras que atuaram na educação e na preservação de saberes comunitários, fortalecendo a memória ancestral, o protagonismo negro e a construção de narrativas plurais na História da Educação, em diálogo com a Lei nº 14.986/2024.
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Referências
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