MAPEAR PARA FORTALECER: A OFERTA DA LICENCIATURA EM EDUCAÇÃO DO CAMPO COM HABILITAÇÃO EM CIÊNCIAS DA NATUREZA NO CENÁRIO EDUCACIONAL BRASILEIRO
Palavras-chave:
Educação do Campo, Licenciatura em Educação do Campo, Ciências da Natureza, Formação de Professores, Políticas PúblicasResumo
A pesquisa analisa a oferta nacional dos cursos de Licenciatura em Educação do Campo (LEDOCs) com habilitação em Ciências da Natureza, buscando mapear sua distribuição regional, as instituições responsáveis pela oferta e as diferentes configurações assumidas pelas habilitações registradas nos sistemas oficiais. Fundamentado nas contribuições de Caldart (2002), Molina (2015) e Medeiros e Aguiar (2015), o estudo compreende a Educação do Campo como uma conquista dos movimentos sociais e como uma política pública comprometida com as especificidades socioculturais, econômicas e territoriais das populações campesinas, destacando a importância da formação docente interdisciplinar e articulada aos saberes e modos de vida dos territórios. De natureza qualitativa, descritiva e exploratória, a investigação articula levantamento documental e análise institucional (Gil, 2002), tendo como fontes o sistema E-MEC, documentos institucionais, páginas eletrônicas de universidades e institutos federais, projetos pedagógicos e planilhas atualizadas. Após o cruzamento e a validação das informações, os dados foram organizados considerando região geográfica, instituição ofertante, natureza administrativa e habilitação. O levantamento identificou 78 cursos ativos de Licenciatura em Educação do Campo distribuídos pelas cinco regiões brasileiras, com maior concentração na região Nordeste, responsável por aproximadamente 36% das ofertas nacionais. Entre os cursos identificados, 23 apresentam habilitação em Ciências da Natureza, correspondendo a aproximadamente 29,5% do total, resultado que evidencia a centralidade dessa área na formação de professores para as escolas do campo e sua articulação com conhecimentos relacionados ao meio ambiente, à agricultura, à saúde, à biodiversidade e à sustentabilidade. Em comparação com o levantamento de Leal, Dias e Camargos (2019), observa-se ampliação do número total de cursos, embora alterações curriculares tenham modificado configurações anteriormente integradas entre Ciências da Natureza e Matemática. Os resultados também evidenciam desigualdades regionais, desafios relacionados à manutenção das ofertas e limitações dos sistemas oficiais de registro, tornando necessário o cruzamento de diferentes fontes para a obtenção de informações atualizadas. Conclui-se que a habilitação em Ciências da Natureza ocupa posição estratégica na formação de professores para os territórios campesinos e que a consolidação das LEDOCs requer o fortalecimento das políticas públicas de formação docente, interiorização da educação superior e garantia do direito à educação das populações do campo.
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Referências
CALDART, R. S. Por uma educação do campo: traços de uma identidade em construção. In: MOLINA, M. C.; JESUS, S. M. S. A. (org.). Por uma educação básica do campo. Brasília: Articulação Nacional por uma Educação do Campo, 2002.
GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2002.
LEAL, Á. A. A.; DIAS, A. C.; CAMARGOS, O. P. Cartografia das Licenciaturas em Educação do Campo no Brasil: expansão e institucionalização. In: MOLINA, M. C.; MARTINS, M. F. A. (org.). Formação de formadores: reflexões sobre as experiências da Licenciatura em Educação do Campo no Brasil. Belo Horizonte: Autêntica, 2019.
MOLINA, M. C. Expansão das Licenciaturas em Educação do Campo: desafios e potencialidades. Educar em Revista, v. 55, p. 145-166, 2015.
MEDEIROS, E. A.; AGUIAR, A. L. O. Educação do/no campo: história, memória e formação. Educação: Teoria e Prática, v. 25, n. 48, p. 6-18, 2015.
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